
A reprodução assistida reúne técnicas que podem ajudar pessoas que desejam engravidar e precisam de acompanhamento especializado ao longo desse processo.
A Profa. Fábia Vilarino, especialista em reprodução humana e coordenadora do curso de Medicina do Centro Universitário São Camilo , comenta os principais recursos disponíveis e os cuidados relacionados ao planejamento da gestação.
O tema ganhou grande repercussão quando a atriz Cláudia Raia anunciou, aos 55 anos, que estava grávida. Segundo relatado na época, a gestação ocorreu naturalmente, embora ela tivesse realizado congelamento de óvulos anos antes.
Gestações em idades mais avançadas exigem avaliação individualizada. Com o envelhecimento reprodutivo, ocorre redução da quantidade e da qualidade dos óvulos, além do aumento de determinados riscos maternos e fetais.
Congelamento de óvulos: quando essa técnica pode ser considerada
Segundo a Profa. Fábia Vilarino, o congelamento de óvulos não fecundados pode ser uma alternativa para mulheres que desejam preservar a possibilidade de uma gestação futura.
A decisão pode estar relacionada a diferentes fatores pessoais, profissionais ou de saúde. Por isso, a indicação deve ser feita de forma individualizada, após avaliação médica.
A paciente utiliza medicamentos para estimular o desenvolvimento de múltiplos folículos.
Os óvulos são coletados em procedimento realizado em ambiente apropriado e com acompanhamento especializado.
Após a coleta, os óvulos podem ser congelados e armazenados para eventual utilização futura.
Quando necessário, os óvulos podem ser utilizados em técnicas de fertilização assistida.
O congelamento não garante uma gestação futura. Idade no momento da coleta, quantidade de óvulos, qualidade do material e condições de saúde influenciam as chances de sucesso.
Menopausa impede a gravidez?
A menopausa representa o fim da ovulação espontânea. No entanto, isso não significa necessariamente que todas as possibilidades de gestação deixem de existir.
Dependendo da avaliação médica e das condições de saúde da mulher, técnicas de reprodução assistida podem envolver diferentes estratégias. Por isso, cada caso precisa ser analisado de forma individualizada.
Quando disponíveis, podem ser utilizados posteriormente em tratamentos de fertilização assistida.
Em determinados casos, pode ser considerada a utilização de óvulos doados.
Além disso, técnicas laboratoriais podem ser utilizadas conforme indicação médica e avaliação da paciente ou do casal.
Ao mesmo tempo, a saúde cardiovascular, metabólica, hormonal e obstétrica precisa ser considerada antes do tratamento.
Dessa forma, o planejamento de uma gestação após o fim da fase reprodutiva espontânea precisa considerar não apenas a possibilidade técnica de engravidar, mas também a segurança da mulher ao longo da gestação.
Além disso, idade, histórico clínico e presença de outras condições de saúde podem influenciar a condução do tratamento. Assim, o acompanhamento especializado é fundamental para avaliar riscos, possibilidades e cuidados necessários em cada situação.
Reprodução assistida exige avaliação individualizada
As técnicas de reprodução assistida ampliaram as possibilidades de planejamento reprodutivo, mas cada situação apresenta características próprias.
Idade, reserva ovariana, condições clínicas, histórico reprodutivo e objetivos da paciente ou do casal fazem parte da avaliação.
Por isso, informações encontradas na internet ou experiências de outras pessoas não substituem uma avaliação especializada. O acompanhamento médico ajuda a entender quais possibilidades existem, quais são os limites de cada técnica e quais cuidados são necessários.