Os impactos da inteligência artificial na docência universitária foram o tema central do Workshop Docente 2026-1, evento de abertura do semestre letivo promovido pelo Centro Universitário São Camilo. A iniciativa, que antecede o início das aulas, tem como principal objetivo promover a formação, a integração e a atualização dos professores diante das constantes transformações do ensino superior.

Além disso, o Workshop Docente integra a programação institucional voltada à qualificação permanente do corpo docente. Nesse contexto, aborda temas atuais e estratégicos para que os professores estejam cada vez mais preparados para formar profissionais alinhados às exigências do mercado e às demandas da sociedade contemporânea.

Formação docente e temas emergentes no ensino superior

Na edição do primeiro semestre de 2026, o evento chegou à sua 38ª edição, consolidando-se, assim, como um espaço permanente de reflexão pedagógica. Ao longo dos anos, o Workshop Docente tem se fortalecido como um importante momento de troca de experiências e atualização profissional.

A programação é organizada pelo Núcleo de Educação Continuada do Centro Universitário São Camilo e, desse modo, reforça o compromisso institucional com a excelência acadêmica e com a formação contínua de seus docentes.

Palestra de abertura e abordagem sobre inteligência artificial

A palestra de abertura teve como tema “Impactos da Inteligência Artificial na Docência Universitária: reflexões e estratégias” e foi ministrada por Priscilla Tavares, economista, doutora em Filosofia e Economia pela Fundação Getulio Vargas e coordenadora do Núcleo de Apoio Pedagógico da instituição.

O encontro ocorreu no Campus Ipiranga, no dia 21 de janeiro de 2026, reunindo docentes e coordenadores interessados em compreender melhor os desafios e as possibilidades do uso da tecnologia no ensino superior.

Uso responsável da inteligência artificial na educação

Durante a palestra, a professora destacou que o uso da inteligência artificial no contexto educacional exige, acima de tudo, reflexão, planejamento e alinhamento pedagógico. Segundo a especialista, a adoção dessas tecnologias deve considerar princípios éticos, legais e formativos. Dessa forma, a IA pode se tornar uma aliada efetiva do processo de ensino-aprendizagem.

Nesse sentido, foram apresentados alguns eixos fundamentais para o uso responsável da tecnologia, como:

  • Ética e responsabilidade no uso da inteligência artificial;
  • Transparência na utilização de ferramentas digitais;
  • Desenvolvimento do pensamento crítico dos estudantes;
  • Mediação ativa do docente ao longo do processo formativo;
  • Avaliação pedagógica baseada em processos;
  • Investimento contínuo na formação docente.

Devemos temer a inteligência artificial no ensino superior?

Ao abordar os receios em torno da tecnologia, a palestrante ressaltou que a inteligência artificial é uma ferramenta em rápida evolução, com impactos em diversos setores, inclusive na educação. No entanto, o medo, segundo ela, geralmente surge do desconhecimento e da falta de preparo institucional.

Além disso, a professora enfatizou que a IA não substitui o docente. Pelo contrário, transforma práticas pedagógicas e amplia possibilidades de ensino. Assim, o principal desafio está em compreender seus limites, suas potencialidades e as responsabilidades associadas ao seu uso no ambiente universitário.

Integração da IA ao desenho pedagógico

Outro ponto central da discussão foi a integração da inteligência artificial ao desenho pedagógico dos cursos. Nesse contexto, a especialista reforçou que o uso da tecnologia deve estar alinhado aos objetivos de aprendizagem e às metodologias ativas adotadas pelas graduações.

Entre as principais orientações apresentadas, destacam-se:

  • Utilizar a IA como apoio à aprendizagem, sem substituir o processo cognitivo;
  • Planejar atividades que estimulem análise, síntese e reflexão crítica;
  • Definir claramente quando, como e por que utilizar ferramentas de IA;
  • Desenvolver avaliações que considerem o processo formativo, e não apenas o produto final.

Impactos da IA na rotina de docentes e estudantes

A palestra também abordou os impactos da inteligência artificial na rotina acadêmica. Estudos recentes indicam mudanças significativas tanto para estudantes quanto para professores.

Por um lado, os estudantes utilizam a IA como apoio à organização dos estudos, à compreensão de conteúdos e à produção textual. Por outro, os docentes enfrentam novos desafios relacionados à autoria, à avaliação e à integridade acadêmica. Dessa maneira, a mediação pedagógica torna-se ainda mais relevante no cenário atual.

Diante disso, a palestrante destacou a importância da existência de políticas institucionais claras sobre o uso da tecnologia no ambiente acadêmico.

Estratégias práticas para o ensino, com foco na área da saúde

Ao final do encontro, foram apresentadas estratégias práticas de uso da Inteligência Artificial que podem ser aplicadas tanto pelo docente, para otimizar tarefas pedagógicas, quanto em atividades desenvolvidas com os estudantes. Nesse momento, o debate teve atenção especial aos cursos da área da saúde.

Entre as propostas destacadas, estão:

  • Definir diretrizes institucionais para o uso da inteligência artificial;
  • Orientar os estudantes sobre o uso ético e responsável da tecnologia;
  • Estimular a autoria e o pensamento crítico;
  • Utilizar a IA como ferramenta de apoio ao planejamento docente;
  • Investir continuamente na formação dos professores.

O futuro da inteligência artificial no ensino superior

Ao falar sobre o futuro da tecnologia na educação, Priscilla Tavares, economista, doutora em Filosofia e Economia pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e coordenadora do Núcleo de Apoio Pedagógico do Centro Universitário São Camilo, destacou uma perspectiva positiva sobre o uso da inteligência artificial no ensino superior:

“Eu acho que as ferramentas de IA vão estar cada vez mais presentes tanto no dia a dia dos professores quanto no dos estudantes, auxiliando nas tarefas de ensino e aprendizagem, com potencial de entregar resultados superiores. Tanto para a preparação de aulas quanto como um assistente de ensino. Minha visão para o futuro é positiva sobre o uso dessas ferramentas.”

IA, carreira docente e ensino na saúde

Ao abordar a aplicação da inteligência artificial na área da saúde, Priscilla Tavares, economista, doutora em Filosofia e Economia pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e coordenadora do Núcleo de Apoio Pedagógico do Centro Universitário São Camilo, ressaltou que há amplo espaço para o uso da tecnologia nos diferentes cursos.

No entanto, segundo a professora, é essencial que esse uso ocorra com discernimento e orientação adequada aos estudantes, especialmente em áreas que exigem rigor técnico e científico:

“Existe muito espaço para utilizar a IA na área da saúde. Ao mesmo tempo, é fundamental diferenciar para os estudantes o que é um uso qualificado e produtivo de um uso irrestrito, que pode gerar riscos. Especialmente na saúde, precisamos estar baseados em informações técnico-científicas validadas pela literatura acadêmica.”

Política institucional para o uso responsável da inteligência artificial

Durante a abertura do Workshop Docente 2026-1, também foi apresentada aos docentes e coordenadores a recém-criada Política para o Uso Responsável da Inteligência Artificial.

Essa iniciativa reforça, portanto, o compromisso institucional do Centro Universitário São Camilo com a inovação pedagógica, aliada à ética, à qualidade acadêmica e à formação integral dos estudantes.

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