Sustentabilidade, muitas vezes, parece um conceito distante da rotina. No entanto, para os estudantes que participaram do Tour 5RS no Centro Universitário São Camilo, o tema ganhou forma na prática dos coletores seletivos espalhados pelos corredores aos sistemas de reaproveitamento de água instalados nos campi Pompeia e Ipiranga.

Desenvolvido pelo Setor de Extensão da instituição, o Tour 5RS aproxima estudantes e comunidade acadêmica das ações sustentáveis já implementadas nos campi, mostrando como pequenas mudanças de hábito podem gerar impacto coletivo e contribuir para uma relação mais consciente com o meio ambiente.

Esse compromisso com práticas sustentáveis também ganhou reconhecimento institucional recentemente com a conquista do selo Escolas pelo Clima, iniciativa que valoriza instituições comprometidas com ações de conscientização ambiental, responsabilidade social e desenvolvimento sustentável.

Realizado anualmente pelo Centro Universitário São Camilo, o Tour 5Rs promove ações de conscientização ambiental voltadas à comunidade acadêmica. Desde 2019, o Programa 5Rs está sob responsabilidade da, a Profa. Dra. Ilka Schincariol Vercellino atual coordenadora da iniciativa.

A proposta surgiu de uma percepção simples, mas importante: muita gente que circulava diariamente pelos campi não conhecia os próprios projetos sustentáveis existentes na instituição.

“Percebi que muitos deles nem imaginavam tudo que já foi instalado e os projetos ainda em fase de testes e implementação que a coordenação de operações realiza. A partir disso, veio a ideia de se fazer o Tour com o objetivo de compartilhar com todos, inclusive com a comunidade externa, as nossas iniciativas em prol da sustentabilidade”, Professora Ilka.

Inicialmente, o Tour começa com uma palestra educativa sobre reciclagem, descarte correto e os impactos ambientais causados pelo consumo e pelo excesso de resíduos. Depois disso, os participantes percorrem diferentes espaços dos campi para conhecer, na prática, como algumas dessas ações funcionam no cotidiano universitário.

Entre os assuntos que mais despertam dúvidas está a separação correta do lixo. Embora muitas pessoas conheçam as cores das lixeiras seletivas, ainda existe confusão sobre o que realmente pode ou não pode seguir para reciclagem.

🔵 Nem todo papel pode ser reciclado

Na lixeira azul, os participantes encontram materiais como folhas sulfite, jornais, caixas de papelão, cartolinas e embalagens de papel limpas.

Por outro lado, o problema começa quando gordura, restos de comida ou líquidos contaminam esses resíduos. Por isso, papel engordurado, guardanapos usados e caixas de pizza sujas precisam seguir para o lixo comum.

Durante o Tour, os estudantes entendem que o reciclável precisa permanecer limpo e seco. Caso um material contaminado entre no coletor seletivo, ele compromete outros resíduos separados corretamente.

Além disso, a atividade mostra como coletores seletivos ajudam condomínios, empresas e universidades a criar hábitos mais sustentáveis no dia a dia.

🔴 O plástico exige mais cuidado do que parece

Garrafas PET, sacolas, embalagens plásticas e copos descartáveis podem seguir para a lixeira vermelha. Mesmo assim, o descarte incorreto ainda aparece com frequência.

Em muitos casos, resíduos químicos, excesso de gordura e restos de produtos dificultam a reciclagem e acabam impedindo o reaproveitamento do material.

Ao mesmo tempo, o Tour provoca uma reflexão sobre o consumo excessivo de plástico. O Programa 5Rs não trabalha apenas a reciclagem. Na prática, a proposta incentiva redução de desperdício e consumo mais consciente.

Os princípios do projeto se organizam em cinco ações:

  • Reduzir;
  • Recusar;
  • Repensar;
  • Reutilizar;
  • Reciclar.

Mais do que decorar a sigla, os estudantes entendem como pequenas escolhas diárias afetam diretamente o meio ambiente.

🟢 Vidro é 100% reciclável, mas ainda pouco reaproveitado

O vidro costuma surpreender muitos participantes durante o Tour. Apesar do potencial de reaproveitamento, o Brasil ainda recicla pouco esse material.

Garrafas, potes e recipientes de vidro devem seguir para a lixeira verde. Já espelhos, porcelanas, lâmpadas e vidros contaminados exigem descarte específico.

Por exemplo, as lâmpadas precisam seguir para pontos apropriados de coleta, como lojas de materiais de construção e estabelecimentos especializados.

Além disso, o Tour também apresenta ações ligadas ao descarte correto de resíduos especiais, incluindo pilhas, baterias, lixo eletrônico e filmes radiográficos.

🟡 Embalagens metalizadas ainda causam dúvidas

Na lixeira amarela, os estudantes encontram latas, alumínio, tampinhas metálicas e outros resíduos compostos por metal.

Ainda assim, as embalagens metalizadas geram dúvidas porque misturam diferentes materiais em várias camadas. Como consequência, a reciclagem se torna mais complexa e os custos de reaproveitamento aumentam no Brasil.

O isopor também aparece entre os materiais que mais levantam perguntas durante a atividade. Embora seja reciclável, o material ainda enfrenta limitações relacionadas ao custo e à logística de reciclagem.

Dessa forma, esses exemplos ajudam os participantes a entender que sustentabilidade depende não apenas da separação correta dos resíduos, mas também de investimento, infraestrutura e conscientização coletiva.

🟤 Quando o reciclável vira lixo comum

Resíduos orgânicos e materiais contaminados devem seguir para a lixeira marrom ou para o lixo comum.

Entre os exemplos mais discutidos durante o Tour estão restos de comida, pó de café, guardanapos usados e embalagens engorduradas.

Por esse motivo, essa etapa costuma chamar atenção porque muitas pessoas acreditam que reciclam corretamente, mas acabam misturando resíduos contaminados aos materiais recicláveis.

Ao longo da atividade, os estudantes percebem que reciclagem exige atenção em todas as etapas, desde o descarte até o encaminhamento correto dos resíduos.

Água da chuva, energia limpa e ações sustentáveis nos campus

A reciclagem representa apenas uma das iniciativas apresentadas durante o Tour 5RS. Além dela, os participantes também conhecem adaptações estruturais voltadas ao uso mais consciente dos recursos naturais.

Entre os pontos que mais despertam interesse está o sistema de reaproveitamento de água da chuva.

No campus Ipiranga, os reservatórios armazenam até 51.500 litros de água. Já no campus Pompeia, a capacidade chega a 46.000 litros.

Posteriormente, a Instituição reutiliza essa água principalmente nos vasos sanitários e na manutenção de jardins e áreas verdes. Quando descobrem isso, muitos estudantes se surpreendem ao perceber como ações aparentemente simples conseguem reduzir o consumo de água no cotidiano.

“Educar para a sustentabilidade é uma necessidade iminente na nossa sociedade e nada melhor que trazer bons exemplos para educar”

Profa. Dra. Ilka Schincariol Vercellino.

Além disso, os participantes conhecem iniciativas ligadas à eficiência energética, incluindo luminárias de LED com placas fotovoltaicas e o uso de energia proveniente do Mercado Livre de Energia.

No campus Pompéia, outra ação envolve a reciclagem de óleo vegetal realizada em parceria com empresas especializadas.

Mais do que apresentar projetos prontos, o Tour mostra como sustentabilidade depende de escolhas contínuas, planejamento e participação coletiva.

Sustentabilidade que sai da teoria e ganha espaço na rotina

O Programa 5Rs integra o Setor de Extensão do Centro Universitário São Camilo e mantém vínculo com a Reitoria Acadêmica. Além das visitas guiadas, a equipe desenvolve campanhas educativas, ações de conscientização e projetos voltados à responsabilidade socioambiental.

Durante o Tour, muitos estudantes percebem que práticas sustentáveis não pertencem apenas a grandes empresas ou projetos distantes da realidade universitária.

Na prática, a proposta da atividade aproxima o tema do cotidiano. Assim, separar corretamente os resíduos, reduzir desperdícios e repensar hábitos de consumo deixam de parecer recomendações abstratas e passam a fazer sentido no dia a dia.

Ao final do percurso, os participantes não levam apenas informações técnicas sobre reciclagem. Mais do que isso, o Tour 5RS estimula reflexão sobre responsabilidade coletiva e mostra como pequenas mudanças de hábito impactam diretamente o ambiente em que todos vivem.

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