O AVC é uma condição séria que, infelizmente, não escolhe idade. No final de maio, o divulgador científico sofreu um episódio e, pouco depois, iniciou sua reabilitação. O caso evidencia uma realidade que parece distante para pessoas jovens, mas, na prática, ocorre com cada vez mais frequência.

De acordo com o professor de Neurologia João Brainer, do Centro Universitário São Camilo, o aumento dos casos em menores de 45 anos ocorre devido a uma combinação de fatores. Segundo ele, os profissionais têm observado principalmente o AVC isquêmico, provocado pelo entupimento de uma artéria do cérebro. Além disso, também houve um leve crescimento nos casos hemorrágicos, como explicou em entrevista à AnaMaria.

O estilo de vida moderno contribui diretamente para esse cenário. Afinal, o estresse constante, o sedentarismo e a alimentação rica em ultraprocessados — que, inclusive, podem conter nanoplásticos — elevam o risco de doença isquêmica cerebral e até de infarto em jovens. Consequentemente, essas escolhas diárias, cada vez mais comuns nas rotinas aceleradas, ampliam o risco em faixas etárias que antes não eram o foco das atenções.

Outro fator relevante é o avanço nos diagnósticos. Hoje, profissionais da saúde conseguem identificar sinais de AVC com muito mais precisão, inclusive em pacientes jovens. Assim, situações anteriormente confundidas com outras condições agora recebem atenção e investigação adequadas.

SAMU: a sigla que pode salvar vidas

Em um AVC, cada minuto importa. Por isso, reconhecer os primeiros sinais e buscar ajuda imediata faz toda a diferença. No Brasil, utiliza-se o acrônimo SAMU para facilitar a identificação:

  • S – Sorria: desvio na boca ao sorrir.
  • A – Abraço: fraqueza em um dos braços.
  • M – Música: dificuldade para falar ou compreender frases.
  • U – Urgente: necessidade de acionar rapidamente o serviço médico.

Nos Estados Unidos, e em materiais internacionais mais atualizados, utiliza-se o BE-FAST, que inclui dois sinais adicionais:

  • B – Balance: perda súbita de equilíbrio.
  • E – Eyes: alteração súbita da visão.

Brainer destaca que os sintomas são os mesmos em jovens e idosos. Entretanto, os quadros em pacientes jovens costumam ser mais graves, já que mais áreas do cérebro podem ser comprometidas desde o início.

Recuperação: uma corrida contra o tempo

Quando o reconhecimento ocorre rapidamente, o tratamento pode começar dentro da chamada “janela de ouro”, que corresponde às primeiras quatro horas e meia após o início dos sintomas. Nesses casos, os médicos podem administrar um medicamento trombolítico, como a alteplase, disponível no SUS, para dissolver o coágulo com maior velocidade.

Em situações mais graves, a equipe de saúde pode indicar a trombectomia, procedimento utilizado para retirar o coágulo que bloqueia a artéria. Esse método reduz o dano cerebral e aumenta a chance de recuperação.

A reabilitação costuma ser mais promissora em pessoas jovens devido à maior capacidade de reorganização do cérebro, fenômeno conhecido como neuroplasticidade. Ainda assim, o processo exige dedicação contínua, com fisioterapia, fonoaudiologia e apoio psicológico. Como reforça o professor, “quanto mais rápido o tratamento, maior a chance de um bom prognóstico”.

Vacina contra a Covid-19: existe relação com o AVC?

Após o caso envolvendo Pirulla, surgiram especulações sobre possíveis vínculos entre a vacinação contra a Covid-19 e o AVC. Entretanto, segundo Brainer, apenas uma vacina específica — que já deixou de ser usada — apresentou associação discreta em pessoas predispostas. Mesmo assim, isso não se confirmou em grande escala.

Por outro lado, a infecção pelo coronavírus aumentou de maneira significativa o risco de AVC, inclusive em jovens. Dessa forma, a vacinação continua sendo fundamental para proteger a população, especialmente grupos com maior exposição ao vírus.


Fonte: Revista Ana Maria – Reportagem de Jéssica Batista.

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