A saúde mental desempenha papel decisivo no tratamento da dor crônica não oncológica e deve orientar a escolha das intervenções clínicas. Essa conclusão emerge de um estudo conduzido por docentes e estudantes do curso de Medicina do Centro Universitário São Camilo, em parceria com pesquisadores da Universidade de São Paulo e do Hospital do Exército.

Os autores publicaram o artigo na revista científica O Mundo da Saúde, periódico da São Camilo voltado à comunidade acadêmica e a profissionais da saúde. Além disso, o tema ganha destaque durante o Janeiro Branco, campanha nacional dedicada à conscientização sobre a saúde emocional.

Dor crônica não oncológica: impacto além do físico

A dor crônica não oncológica persiste por mais de três meses e não se relaciona a processos cancerígenos. Diferentemente da dor aguda, essa condição afeta de forma contínua a qualidade de vida. Como consequência, muitos pacientes enfrentam limitações funcionais, prejuízos emocionais e dificuldades nas relações sociais.

Apesar desse cenário, a prática clínica ainda prioriza fatores orgânicos. Entretanto, a literatura científica demonstra que aspectos emocionais e psicossociais influenciam diretamente a intensidade da dor e a resposta aos tratamentos. Por isso, especialistas defendem uma abordagem mais integrada.

Saúde mental como eixo do cuidado integral

A pesquisa reforça que a dor envolve dimensões físicas e emocionais. Segundo a Associação Internacional para o Estudo da Dor, trata-se de uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada a dano real ou potencial.

Nesse sentido, fatores como ansiedade, medo e sofrimento psíquico intensificam a percepção dolorosa. Além disso, quando a equipe ignora esses aspectos, o risco de cronificação aumenta, mesmo diante de recursos tecnológicos avançados. Portanto, avaliar a saúde mental desde o início do acompanhamento torna-se essencial.

Recomendações clínicas baseadas em evidências

A partir da revisão sistemática da literatura e da análise da prática clínica, os pesquisadores propõem diretrizes para aprimorar o cuidado aos pacientes com dor crônica refratária. Entre elas, destacam-se:

  • Realizar anamnese completa e qualificada;
  • Valorizar a escuta ativa da história psicossocial;
  • Avaliar a saúde mental de forma sistemática;
  • Fortalecer a relação médico-paciente;
  • Integrar a comunicação entre equipes multiprofissionais;
  • Encaminhar o paciente para avaliação psicológica ou psiquiátrica, quando necessário.

Essas ações promovem, portanto, um cuidado integral, centrado na pessoa e não apenas nos sintomas.

O artigo, assinado por João Paulo Consentino Solano, José Eduardo Guimarães Pereira, Rayane da Silva Souza Barbosa e Hazem Adel Ashmawi, está disponível na revista científica O Mundo da Saúde e pode ser acessado neste link.

A relevância da revista O Mundo da Saúde

A revista O Mundo da Saúde divulga pesquisas nas áreas da saúde e campos correlatos. Além disso, publica estudos de pesquisadores do Brasil e do exterior, o que fortalece o intercâmbio científico.

Com abordagem interdisciplinar, o periódico estimula reflexões sobre saúde, políticas públicas e questões sociais. Ao mesmo tempo, mantém compromisso com a ciência aberta, a diversidade, a equidade, a inclusão e a acessibilidade.

Pesquisa e impacto social na São Camilo

O Centro Universitário São Camilo coloca a produção científica como um de seus pilares. Por isso, incentiva a pesquisa desde a graduação e aproxima docentes e estudantes dos desafios reais da sociedade.

Dessa forma, ao fomentar estudos éticos e aplicados, a instituição contribui para a qualificação do cuidado em saúde e para a formação de profissionais mais preparados e socialmente responsáveis.

Veja também:

Janeiro Branco: 8 sugestões para uma rotina mais leve e saudável

Dia Mundial da Saúde Mental: Reflexões e Cuidados no Centro Universitário São Camilo

Saúde mental em médicos: vira tema de pesquisa de docente e discente