Mais do que paredes e salas de aula, a universidade acontece quando o conhecimento encontra pessoas e transforma realidades. No Centro Universitário São Camilo, essa conexão ganha forma em projetos que aproximam estudantes da comunidade e levam aprendizado para além do campus.

Entre essas iniciativas está a Escola Camiliana de Extensionistas, que reúne ações capazes de impactar diferentes públicos de crianças a pessoas idosas e, ao mesmo tempo, ampliar a formação humana dos estudantes.

Na prática, a extensão universitária coloca os alunos diante de situações reais. Eles escutam histórias, enfrentam desafios concretos e desenvolvem um olhar mais sensível para as necessidades da sociedade. Assim, aquilo que começa como aprendizado acadêmico se transforma em experiência humana.

UATI – Universidade Aberta da Terceira Idade: aprender não tem idade

Entre as iniciativas que mais emocionam quem participa está a UATI – Universidade Aberta da Terceira Idade, um programa que mostra, na prática, que aprender não tem prazo de validade.

Os encontros acontecem quinzenalmente no campus Ipiranga e reúnem pessoas idosas em atividades conduzidas por professores, estudantes e monitores acadêmicos. Além disso, participam cursos como Enfermagem, Psicologia, Medicina, Fisioterapia, Administração e Nutrição, ampliando o olhar sobre o envelhecimento e promovendo uma abordagem mais integral.

A proposta do programa também nasceu de um processo de reformulação conduzido pela equipe de extensão. Nesse contexto, a iniciativa foi repensada para fortalecer ainda mais o vínculo entre universidade e comunidade.

Como explica Camila Rezende, responsável pelo projeto, a proposta surgiu a partir de reflexões sobre o papel da universidade na vida das pessoas idosas.

“Quando fui selecionada para assumir os programas de extensão, recebi a proposta de reformular o projeto. Minha avó havia participado de uma universidade da pessoa idosa há muitos anos, e essa experiência também inspirou a construção da proposta.” Profa. Camila Rezende

A partir daí, a equipe passou a desenvolver um programa voltado não apenas ao aprendizado, mas também à convivência, à troca de experiências e ao fortalecimento do envelhecimento com propósito.

Um espaço de alegria, convivência e descobertas

Ao longo dos encontros, surgem momentos que revelam o verdadeiro significado do projeto.

Segundo Camila Rezende, um dos aspectos mais marcantes da iniciativa é justamente a atmosfera de acolhimento que se constrói entre todos os participantes.

“Apesar de a gente entender tudo o que está por trás desenvolvimento cognitivo e envelhecimento com propósito quando estamos todos juntos, o que aparece com mais força é a alegria de estar junto.”
Profa. Camila Rezende

Essa alegria aparece nas conversas antes das atividades, nas descobertas durante as oficinas e nas amizades que surgem ao longo do caminho. Ao mesmo tempo, cada encontro cria novas oportunidades de troca entre estudantes e participantes.

Com o passar do tempo, o próprio espaço universitário também passa a fazer parte da rotina dos participantes. Muitos frequentam a biblioteca, caminham pelos corredores e utilizam os espaços de convivência.

Para Camila, esse movimento revela algo importante: a universidade deixa de ser um lugar distante e passa a ser um espaço de pertencimento.

Histórias que mostram o impacto do projeto

Quem participa da Universidade Aberta da Pessoa Idosa costuma dizer que a experiência vai muito além das aulas. Na prática, ela cria oportunidades de convivência, descoberta e crescimento pessoal.

Egle Cardenuto de 77 anos, conta que decidiu participar do programa depois de conhecer a divulgação por meio de uma colega.

“Eu já havia participado de uma outra universidade da terceira idade, mas aqui encontrei um enfoque diferente. Isso me surpreendeu.” Egle Cardenuto – aluna

Ela lembra que uma das experiências mais marcantes foi se permitir experimentar algo novo.

“Eu fui incentivada a mexer com tintas e fazer uma atividade artística. Não era algo que eu achava que tinha talento para fazer, mas resolvi ser ousada.”
Egle Cardenuto – aluna

Lisete Pegoraro, de 75 anos, também destaca a variedade de atividades que fazem parte do programa:

“Tem uma variedade de atividades que despertam nossa curiosidade. Eu gostei muito de ter acesso à Inteligência Artificial, que é uma grande novidade para nós.”
Lisete Pegoraro – aluna

Lucila Jerkov de 70 anos, também recorda da surpresa ao conhecer o projeto.

“Eu fiquei extremamente surpreendida com a organização e com a forma como somos recebidos. É tudo muito dinâmico.”

Lucila Jerkov – aluna

Para quem acompanha as atividades de perto, o entusiasmo dos participantes também chama atenção.

Fátima Torres, que atua no projeto, observa que a disposição dos alunos é algo que sempre surpreende.

“Todas as quintas-feiras eles chegam com muita disposição. Não importa se está frio, calor ou chuva. Eles participam das atividades com vontade e sempre querem aprender mais.” Fátima Torres – aluna

Já Valdecir De Oliveira, de 75 anos, conta que as experiências vividas durante o curso trouxeram novas

perspectivas.

“Todas as aulas que eu participei foram uma novidade, sempre um aprendizado. Aqui ficou claro que a gente é capaz de resolver nossas questões.”
Valdecir De Oliveira – Aluno

Hoje, inclusive, ele se tornou um divulgador do projeto.

“Não só indicaria como já estou indicando para pessoas do meu bairro. Muitos querem participar quando abrir nova turma.”
Valdecir De Oliveira – Aluno

Uma universidade que cresce junto com a comunidade

Quando universidade e comunidade caminham juntas, todos aprendem. Os estudantes ampliam sua formação e desenvolvem sensibilidade social. Ao mesmo tempo, a comunidade encontra novos espaços de aprendizado, convivência e crescimento.

Por isso, iniciativas como a Escola Camiliana de Extensionistas do Centro Universitário São Camilo mostram que o conhecimento ganha ainda mais valor quando é compartilhado.

E, no fim das contas, talvez a maior lição venha justamente de quem participa do projeto: aprender continua sendo possível em qualquer fase da vida.

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