A formação em Nutrição vai muito além do estudo de nutrientes, dietas e protocolos clínicos. Desde o início da graduação, é essencial que o estudante compreenda que a alimentação também carrega histórias, afetos e identidades. Nesse contexto, 3ª edição do Café Regional, organizada pela professora Sonia Maria Soares Rodrigues Pereira, se destaca como uma experiência que integra teoria e prática de forma significativa.
Logo no primeiro semestre, os alunos são convidados a vivenciar a alimentação de maneira ampliada. Mais do que preparar ou apresentar receitas, eles mergulham em narrativas familiares, tradições culturais e memórias afetivas. Como resultado, o aprendizado se torna mais profundo, humano e conectado com a realidade.
O que são Café Regional de sabores e por que elas são importantes?
Os Cafés Regionais são atividades práticas que envolvem a experimentação de alimentos, o resgate de receitas tradicionais e a reflexão sobre o papel da alimentação na vida das pessoas. Diferentemente de uma aula de culinária tradicional, o foco não está apenas na técnica, mas na experiência sensorial, cultural e emocional.
Além disso, esse tipo de atividade contribui diretamente para a formação de um olhar mais sensível por parte do futuro nutricionista. Afinal, compreender o comportamento alimentar exige considerar fatores que vão muito além do prato.
Nesse sentido, o Centro Universitário São Camilo valoriza práticas pedagógicas que aproximam o estudante da realidade do cuidado em saúde, promovendo uma formação que integra conhecimento técnico e sensibilidade humana.
Café Regional: quando o aprendizado ganha significado
Ao longo do café, os alunos apresentam pratos preparados a partir de receitas de família, muitas vezes transmitidas entre gerações. Esse processo, por si só, já revela a riqueza da atividade.
Além disso, a atividade segue uma estrutura organizada que amplia ainda mais o aprendizado. Os estudantes foram divididos em nove grupos, sendo que cada um deles abordou um conjunto de preparações, contemplando tanto culinárias brasileiras quanto de outros países.
Esse processo, no entanto, não começa no dia da oficina. Ele faz parte de um projeto que se inicia em sala de aula, com discussões sobre a história da alimentação e seus desdobramentos culturais. A partir disso, os alunos realizam uma pesquisa genealógica com seus próprios familiares, resgatando receitas, histórias e tradições que atravessam gerações.
Como destaca a professora responsável:
“É muito importante tudo isso. É uma gratificação imensa ver que os alunos entenderam a teoria e trouxeram na prática.”
Profa. Ma. Sonia Maria Soares Rodrigues Pereira
Além disso, a docente reforça:
“Cada aluno está contando a sua história… quando falamos em antropologia da alimentação, falamos também em resgate da identidade alimentar.”
Profa. Ma. Sonia Maria Soares Rodrigues Pereira
Ou seja, a alimentação passa a ser compreendida como expressão cultural e social.
Alimentação, cultura e memória: uma conexão que transforma
Um dos aspectos mais marcantes da Café Regional é a valorização da diversidade cultural. Ao trazer receitas de diferentes regiões do Brasil e de países como Itália e Portugal, os alunos evidenciam como a alimentação é influenciada por processos históricos, como a imigração.
Como destaca a Profa. Dra. Sandra Chemin:
“É uma diversidade de paladar que existe aqui no Brasil. E mais do que isso, os estudantes começaram a sentir que a importância da alimentação vai muito além dos nutrientes.””
Profa. Dra. Sandra Chemin
Além disso, a proposta da atividade envolve diretamente os familiares dos estudantes, fortalecendo o vínculo entre alimentação e memória afetiva. Em muitos casos, as receitas foram preparadas em conjunto com avós, pais e outros membros da família, tornando o processo ainda mais significativo.
Nesse sentido, a alimentação passa a ser compreendida como um elemento de conexão entre gerações. Ao longo do desenvolvimento da atividade, percebeu-se que esse envolvimento familiar contribui para o fortalecimento da identidade alimentar e para a valorização das tradições.
Como reforça a coordenadora:
“É muito importante que o nutricionista entenda o paciente na sua totalidade… existe uma identidade alimentar que é passada pelas famílias.
Profa. Dra. Sandra Chemin
A experiência dos alunos: aprendizado que vai além da sala de aula
Os relatos dos estudantes reforçam o impacto da atividade na formação, evidenciando como o café Regional ultrapassa o conteúdo técnico e alcança dimensões emocionais, culturais e sociais.
Carolina, estudante do primeiro semestre, compartilha:
“O alimento é muito mais do que nutrir, é acolher. É uma questão familiar, comportamental.”
Aluna – Carolina
Julia Godoy destaca o processo de reconexão:
““Foi uma oportunidade de conversar com a minha avó, com a minha mãe, resgatar receitas e me reconectar com isso. Também foi muito legal conhecer a cultura de todo mundo; foi um momento muito enriquecedor.”
Aluna – Julia Godoy
Luan Porto traz a dimensão afetiva de forma marcante:
“Fiz a broa de milho, que me lembra muito a minha infância… fazer desde o zero com a minha avó, aquela receita quentinha… um café da manhã das minhas raízes.”
Aluno – Luan Porto
E reflete:
“paladar não é definido apenas por calorias ou nutrientes; também lhe é atribuído um valor sentimental. À nossa história alimentar são conectadas a saudade, a emoção e a felicidade.”
Aluno – Luan Porto
João Paulo reforça o vínculo familiar:
“É algo que vem desde cedo na minha família… une as pessoas.”
Aluno – João Paulo
Pedro Martins Maia destaca o resgate das origens:
“Essa experiência faz você relembrar a sua família… ajuda a relembrar o nosso passado.”
Aluno
Isabele evidencia o aspecto afetivo e o processo vivido:
““São alimentos que nos levam para o campo afetivo; não é só valor nutricional, também é prazer. A gente entrevistou familiares, fez a árvore genealógica e agora estamos trazendo isso para a prática.”
Aluna – Isabele
Esses relatos mostram que o aprendizado se constrói na vivência, na escuta e na troca.
A importância do olhar integral na Nutrição
Ao longo da formação, é comum que o estudante foque em aspectos como peso, doenças e composição alimentar. No entanto, a prática do Café Regional amplia essa visão.
Como explica a professora Sonia:
“A importância do peso é reconhecida, mas o conhecimento da história do paciente é considerado essencial.”
Profa. Ma. Sonia Maria Soares Rodrigues Pereira
Essa perspectiva é fundamental para a atuação profissional. Afinal, cada indivíduo possui uma relação única com a alimentação.
Aprender fazendo: da vivência ao desenvolvimento profissional
Outro ponto importante é que todos os participantes estão no primeiro semestre, vivenciando sua primeira experiência prática.
Essa jornada começa com fundamentos teóricos importantes. Como explica a docente:
“Iniciamos a disciplina com antropologia cultural e antropologia da alimentação.”
Profa. Ma. Sonia Maria Soares Rodrigues Pereira
A partir disso, os alunos evoluem para práticas mais técnicas, desenvolvendo postura profissional ao longo do curso.
Formação que integra ciência e humanidade
Ao promover experiências como o Café Regional, o Centro Universitário São Camilo contribui para a formação de profissionais mais completos. Não apenas tecnicamente preparados, mas também sensíveis às dimensões culturais e emocionais da alimentação.
Assim, o estudante aprende que cuidar da alimentação de alguém é, também, compreender sua história.
Muito além da sala de aula
O 3ª Café Regional mostra que aprender Nutrição é, acima de tudo, aprender sobre pessoas. É entender que cada prato carrega uma história e que cada escolha alimentar tem um significado.
Em síntese, iniciativas como essa reforçam que a formação em saúde precisa ser vivida, experimentada e sentida. Porque é essa combinação entre conhecimento e sensibilidade que forma profissionais capazes de promover, de fato, qualidade de vida.ade que forma profissionais capazes de promover, de fato, qualidade de vida.
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