Uso de telas por crianças e adolescentes

O uso de telas por crianças e adolescentes já faz parte da realidade de muitas famílias e ganhou um novo ponto de reflexão com Toy Story 5. A produção apresenta Lilypad, um tablet infantil que simboliza a presença cada vez maior da tecnologia na infância.

Celulares, tablets e computadores aproximam pessoas, ampliam o acesso ao conhecimento e oferecem novas formas de aprender. Ao mesmo tempo, surgem dúvidas frequentes: quanto tempo de tela é saudável? Quando oferecer o primeiro celular? Qual é o momento adequado para entrar nas redes sociais?

O caminho não está na proibição absoluta nem no uso sem limites. O desafio é construir uma relação equilibrada com a tecnologia, respeitando cada fase do desenvolvimento e preservando experiências essenciais como brincar, conversar, ler, praticar atividades físicas e conviver em família.

As telas fazem parte da infância, mas não podem ocupar todos os espaços

Jogos, vídeos, aplicativos educativos e plataformas de aprendizagem já fazem parte do cotidiano infantil. Quando usados de maneira planejada e adequada à idade, esses recursos podem apoiar o aprendizado e despertar curiosidade.

Entretanto, o excesso de tempo diante dos dispositivos ou o uso sem acompanhamento pode substituir experiências fundamentais para o desenvolvimento.

Linguagem e memória

Conversas, histórias e leitura estimulam habilidades cognitivas importantes.

Criatividade

Brincadeiras livres exigem imaginação, tomada de decisões e criação de soluções.

Convivência

Interações presenciais ajudam no desenvolvimento da empatia, autonomia e resolução de conflitos.

Quanto tempo de tela é recomendado?

A Sociedade Brasileira de Pediatria apresenta referências de exposição diária de acordo com a faixa etária.

Menores de 2 anos Uso não recomendado
2 a 5 anos Até 1 hora por dia
6 a 10 anos Até 2 horas por dia
11 a 18 anos Até 3 horas por dia

Além do número de horas, é importante observar a qualidade do conteúdo, fazer pausas e preservar o sono. Mais do que contar minutos, vale perceber se a tecnologia está substituindo estudo, atividade física, convivência, lazer e descanso.

O uso das telas na escola é diferente do uso em casa

Nem todo tempo de tela tem a mesma finalidade. Em contexto pedagógico, recursos digitais podem apoiar pesquisas, atividades colaborativas, jogos educativos e plataformas de aprendizagem.

Na escola

O uso pode ter objetivo pedagógico, planejamento docente e atividades orientadas.

Em casa

Entretenimento, vídeos, jogos e redes sociais podem prolongar a permanência diante das telas.

Por isso, a discussão deve considerar não apenas quanto tempo a criança permanece conectada, mas também o que faz, com quem interage e para qual finalidade utiliza o dispositivo.

Como as telas podem afetar concentração e aprendizagem?

O cérebro infantil aprende a partir de experiências diversificadas. Ler, brincar, conversar, desenhar e resolver desafios mobilizam diferentes habilidades cognitivas.

Já muitos ambientes digitais oferecem mudanças rápidas de imagem, notificações e recompensas imediatas. Quando a criança alterna continuamente entre aplicativos, vídeos e jogos, a atenção pode se tornar mais fragmentada.

Manter o hábito da leitura, seja em livros impressos ou em formatos digitais adequados, continua sendo importante para a linguagem, a imaginação e a capacidade de concentração.

Algoritmos: por que é tão difícil desligar a tela?

O conhecido “só mais cinco minutos” nem sempre depende apenas de disciplina. Muitas plataformas foram desenvolvidas para manter o usuário conectado pelo maior tempo possível.

1 Um conteúdo termina

O usuário conclui um vídeo ou publicação.

2 Outro aparece

Recomendações personalizadas mantêm a sequência.

3 A rolagem continua

O próximo estímulo está sempre disponível.

4 O tempo se prolonga

Minutos podem rapidamente se transformar em períodos maiores.

Para crianças e adolescentes, esse ambiente representa um desafio adicional porque autocontrole, espera por recompensas e autorregulação emocional ainda estão em desenvolvimento.

Ansiedade, irritabilidade e sono também merecem atenção

A tecnologia não é, isoladamente, responsável por transtornos psicológicos. Entretanto, exposição prolongada, comparação social constante e uso noturno podem afetar o bem-estar.

Na adolescência, redes sociais também podem estimular comparações com padrões de beleza, desempenho e estilo de vida. Além disso, utilizar celulares e tablets próximo ao horário de dormir pode dificultar o relaxamento e prejudicar a qualidade do sono.

O brincar continua sendo essencial

Quando o uso de telas ocupa praticamente todo o tempo livre, não importa apenas o conteúdo consumido. Também é preciso observar quais experiências deixam de acontecer.

No brincar livre, uma caixa pode virar uma casa, um tecido pode se transformar em capa e pequenos objetos podem ganhar histórias. A criança imagina, cria regras, toma decisões e encontra soluções.

Profa. Me. Luciane Pedro, coordenadora de Pedagogia da São Camilo

“Brincar não é apenas uma forma de passar o tempo. Brincar é fundamentalmente uma atividade essencial para o desenvolvimento cognitivo, emocional, social, motor e simbólico.”

Profa. Me. Luciane Pedro

O chamado ócio criativo também faz parte dessa construção. Nem todo momento precisa ser preenchido. Em um ambiente seguro, o tédio pode se tornar ponto de partida para curiosidade, imaginação e autonomia.

Isso não significa excluir a tecnologia das brincadeiras. Uma história vista em uma tela pode inspirar desenhos, dramatizações e novas narrativas. O cuidado é evitar que o consumo termine sempre no próprio dispositivo.

Primeiro celular e redes sociais: o que observar?

Primeiro celular

Não existe uma idade única para todas as crianças. A decisão deve considerar maturidade, necessidade de comunicação e capacidade da família de acompanhar o uso.

Ter um aparelho também não significa oferecer acesso irrestrito à internet.

Primeira rede social

Muitas plataformas estabelecem idade mínima de 13 anos. Mesmo depois disso, acompanhamento e diálogo continuam importantes.

Privacidade, cyberbullying, golpes, notícias falsas e respeito devem fazer parte das conversas familiares.

Mais importante do que entregar um dispositivo é construir uma educação digital baseada em diálogo, regras claras e participação ativa dos responsáveis.

O que mudou com a legislação brasileira?

A proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital também passou a ganhar novas regras no Brasil.

Lei nº 15.100/2025 Celulares nas escolas

A legislação restringe o uso de celulares e outros dispositivos eletrônicos durante as aulas na educação básica.

O uso continua permitido em situações pedagógicas planejadas e nas exceções previstas pela própria lei.

Lei nº 15.211/2025 ECA Digital

O texto amplia medidas voltadas à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

Entre os pontos citados estão verificação de idade, controle parental, responsabilidade das plataformas e restrições a mecanismos de uso contínuo.

Essas mudanças reforçam que a segurança digital não depende apenas das famílias. Plataformas, escolas, políticas públicas e empresas de tecnologia também fazem parte dessa responsabilidade.

Você sabe o que é sharenting?

Sharenting combina as palavras inglesas share, compartilhar, e parenting, parentalidade. O termo descreve o hábito de responsáveis publicarem frequentemente imagens, vídeos e informações sobre seus filhos.

Embora muitas postagens tenham a intenção de registrar momentos especiais, uma exposição excessiva pode comprometer a privacidade e criar um histórico digital permanente.

Antes de publicar, duas perguntas ajudam: essa imagem preserva a dignidade da criança? E ela gostaria que esse registro continuasse disponível quando crescer?

Cuidar da identidade digital também faz parte da proteção da infância.

Como promover um uso mais saudável das telas em casa?

Não existe uma fórmula única. Entretanto, pequenas mudanças na rotina podem ajudar crianças e adolescentes a construir uma relação mais equilibrada com a tecnologia.

1
Estabeleça horários para celulares, tablets e videogames.
2
Evite telas durante as refeições.
3
Retire dispositivos do quarto durante a noite.
4
Use ferramentas de controle parental quando necessário.
5
Acompanhe os conteúdos acessados, não apenas o tempo de uso.
6
Converse sobre privacidade, golpes e segurança digital.
7
Incentive brincadeiras, esportes, leitura e atividades artísticas.
8
Dê o exemplo e reserve também momentos sem celular em família.

O equilíbrio começa pelo exemplo

As telas continuarão presentes na vida das novas gerações e oferecem oportunidades importantes de aprendizagem, comunicação e acesso à informação.

No entanto, nenhum dispositivo substitui relações humanas, brincadeiras espontâneas, leitura compartilhada e tempo de qualidade em família.

Talvez o principal desafio não seja afastar crianças da tecnologia, mas garantir que elas também tenham tempo para correr, conversar, imaginar, errar, criar e descobrir o mundo fora dos dispositivos.

Mais do que limitar horas, famílias e escolas podem ajudar crianças e adolescentes a desenvolver autonomia, senso crítico e capacidade de escolher quando conectar e quando desconectar.

Desenvolvimento humano também se aprende na formação profissional

Na São Camilo, os cursos de Pedagogia e Psicologia abordam diferentes aspectos do desenvolvimento, da aprendizagem e do cuidado ao longo da vida.

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