Saiba quais são as diferenças entre depressão e tristeza

Durante o inverno, cerca de 2 milhões de brasileiros são afetados pelo Transtorno Afetivo Sazonal (TAS) ou por sua forma mais leve, o Winter Blues expressão que descreve a melancolia associada aos dias frios e menos iluminados. No Brasil, a incidência é maior nas regiões Sul e Sudeste e, por isso, muitas pessoas passam a se perguntar se estão apenas tristes ou realmente deprimidas.

Por que o inverno mexe tanto com o nosso humor?

À medida que os dias ficam mais curtos e nublados, há uma redução significativa da luz solar. Essa diminuição afeta o hipotálamo, região responsável por regular hormônios e o ciclo do sono. Consequentemente, o corpo sofre mudanças químicas importantes, como:

  • redução da serotonina, capaz de intensificar a tristeza;
  • alterações na melatonina, que desregulam o sono;
  • perturbação do ritmo circadiano, reduzindo energia e motivação.

Segundo o psiquiatra e professor do Centro Universitário São Camilo, Dr. Alfredo Simonetti, esses fatores contribuem para sintomas como fadiga, irritabilidade, isolamento e mudanças no apetite.

“É como se o corpo entrasse em um modo de hibernação”, explica o docente. “Com menos luz, o cérebro diminui a serotonina, mergulhando muitos em um estado de melancolia profunda.”

Além disso, dados da King’s College London confirmam que dias frios, úmidos e nublados influenciam diretamente o humor. Países com invernos rigorosos apresentam maior incidência, mas, ainda assim, o Sul do Brasil concentra a maioria dos casos nacionais.

Afinal, estou triste ou deprimido?

É comum confundir tristeza com depressão. No entanto, segundo o professor Simonetti, a tristeza é passageira e ajuda a refletir sobre a vida, enquanto a depressão paralisa, prejudica o funcionamento diário e torna as tarefas simples quase impossíveis.

O TAS é considerado um subtipo de depressão e, portanto, apresenta sintomas mais persistentes. Assim, a pessoa pode:

  • perder o interesse por atividades antes prazerosas;
  • sentir culpa ou inutilidade;
  • ter dificuldade de concentração;
  • apresentar movimentos e fala lentificados;
  • aumentar o consumo de carboidratos;
  • dormir excessivamente.

Em casos mais graves, o quadro pode evoluir para pensamentos sobre morte ou suicídio. Por isso, buscar ajuda profissional é fundamental.

Como funciona o tratamento?

De acordo com o especialista, o tratamento envolve:

  • antidepressivos, quando necessário;
  • psicoterapia;
  • fototerapia com luz branca especial.

Além disso, hábitos saudáveis aceleram a melhora.

Transforme o inverno em um período de autocuidado

O professor Simonetti afirma que o inverno não precisa ser sinônimo de desânimo. Pelo contrário, ele pode ser uma oportunidade de reconexão.

Dessa forma, ele recomenda:

  • criar momentos de relaxamento para reduzir o estresse;
  • aproveitar o clima para desenvolver hobbies;
  • manter o contato com familiares e amigos;
  • caminhar ao ar livre sempre que possível;
  • usar a tecnologia para se aproximar de quem está longe.

“Ressignificar a estação é essencial”, afirma o docente. “O recolhimento pode ser confortável, mas não deve virar isolamento.”

Veja também:

Dia Mundial da Saúde Mental: Reflexões e Cuidados no Centro Universitário São Camilo

Atendimento psicológico gratuito na Clínica-Escola São Camilo