Um encontro que convida à escuta, ao sentir e à coragem de ser quem se é.

O 4º Café na Biblioteca, realizado nos campus Ipiranga e Pompeia durante o mês de março, trouxe um tema tão necessário quanto desafiador: felicidade sem filtro. Mais do que um evento, o encontro se consolidou como um espaço de diálogo verdadeiro, onde estudantes puderam compartilhar experiências, refletir sobre suas emoções e, sobretudo, se reconhecer no outro.

Desde o início, o clima foi de acolhimento. Em meio a conversas leves, café e troca de olhares atentos, algo ficou evidente: falar sobre felicidade exige coragem. Afinal, ser feliz é uma responsabilidade muito grande e pouca gente tem coragem.

Nesse sentido, iniciativas como o Café na Biblioteca reforçam o compromisso do Centro Universitário São Camilo e das Bibliotecas São Camilo com uma formação que vai além do conteúdo técnico, valorizando também o cuidado emocional e a escuta ativa dentro da vivência acadêmica.

Um espaço para ser, sem filtros

Ao longo do encontro, a conversa foi conduzida de forma aberta e sensível. A docente convidada dos cursos de Biomedicina e Medicina professora Dra. Dyana Alves Henriques, trouxe provocações importantes sobre a forma como vivemos atualmente muitas vezes presos a padrões e expectativas externas.

Segundo ela, vivemos em um mundo onde tudo parece filtrado. As redes sociais, as imagens idealizadas e a constante necessidade de validação acabam distorcendo a forma como nos enxergamos. Como resultado, muitas pessoas passam a acreditar que a felicidade está fora no que se compra, no que se mostra, no que os outros aprovam.

No entanto, o encontro propôs justamente o contrário: olhar para dentro.

Ao refletir sobre a experiência, a docente destacou:

“Eu fiquei muito contente…acho que a gente conseguiu criar um clima de felicidade, onde os alunos se sentiram livres para falar, inclusive sobre coisas que não os deixam felizes. Foi um momento importante para entender que nem sempre estamos felizes e isso não é só de um, é do grupo.”

Profa. Dra. Dyana Alves Henriques

Essa percepção trouxe alívio para muitos participantes. Afinal, reconhecer que a felicidade não é constante não significa fracasso significa humanidade.

Quando a felicidade não está no que se compra

Outro ponto central da conversa foi a relação entre felicidade e consumo. Em um mundo marcado pelo imediatismo, é comum associar bem-estar a conquistas materiais. No entanto, essa ideia foi questionada ao longo do encontro.

Como ressaltado pela docente:

“A felicidade não está em algo, ela está em você. O dinheiro pode trazer momentos, mas não necessariamente vai te fazer feliz. Quando a gente espera a felicidade no objeto, ela deixa de ser genuína ela se torna passageira.”

Profa. Dra. Dyana Alves Henriques

Essa reflexão ecoou entre os estudantes, que passaram a discutir suas próprias experiências. Em muitos casos, ficou evidente como pequenas situações um gesto, uma conversa, um momento de presença têm mais impacto do que qualquer aquisição.

Além disso, a discussão trouxe um ponto essencial: a felicidade autêntica é construída, não comprada.

O poder do coletivo: quando o grupo acolhe

Um dos momentos mais marcantes do encontro surgiu a partir do relato de uma participante sobre suas dificuldades emocionais. Ao compartilhar suas vivências com a depressão, ela abriu espaço para uma reação coletiva de apoio.

“Fiquei muito tocada com a fala dela, mas também feliz por ver como ela está construindo caminhos para não se apegar à tristeza. E ver o grupo apoiando foi muito gratificante.”

Profa. Dyana Alves Henriques

Esse tipo de experiência evidencia a força do ambiente coletivo. Quando há escuta, respeito e empatia, o espaço acadêmico se transforma deixa de ser apenas um local de aprendizado técnico e passa a ser também um lugar de cuidado.

É exatamente esse tipo de vivência que fortalece a formação integral proposta pelo Centro Universitário São Camilo.

A felicidade também é sobre se reconhecer

Entre os depoimentos, a fala da estudante Luana, do curso de Biomedicina, trouxe uma perspectiva sensível e inspiradora:

“A felicidade está dentro de nós. É algo que a gente já nasce com ela e que vale muito a pena explorar. Todo mundo merece ser feliz, independente do que os outros falem.”

Luana – Aluna

Sua fala reforça uma ideia fundamental: a felicidade não é algo que precisa ser conquistado externamente, mas reconhecido internamente.

Da mesma forma, Amanda, estudante de Psicologia, trouxe uma reflexão simples, mas poderosa:

“Eu vim para entender o que me faz feliz… e percebi que eu sou feliz. Do meu jeito.”

Amanda- Aluna

Essa afirmação, embora direta, carrega uma profundidade importante. Em um contexto onde há tantas comparações, assumir a própria forma de ser feliz é um ato de autenticidade.


“A Felicidade Não Se Compra”: uma reflexão que atravessa gerações

Distribuidora Paramount Picture

O tema do encontro também dialogou com o clássico filme A Felicidade Não Se Compra, trazendo uma ponte interessante entre cultura e experiência contemporânea.

Assim como na narrativa do filme, a discussão mostrou que a felicidade não está nos bens materiais, mas nas relações, nas escolhas e no sentido que damos à vida. No entanto, os estudantes também trouxeram nuances importantes.

Luana, ao refletir sobre o tema, destacou:

“Existem momentos que o dinheiro proporciona, como viagens e experiências. Mas a felicidade verdadeira não se compra ela vem de dentro.”

Luana – Aluna

Essa leitura mostra maturidade emocional e compreensão de que, embora o dinheiro possa proporcionar experiências, ele não sustenta a felicidade de forma duradoura.

Mais do que um evento, uma experiência transformadora

Ao final do encontro, ficou evidente que o 4º Café na Biblioteca foi muito mais do que uma roda de conversa. Foi um espaço de encontro consigo mesmo e com o outro.

Além disso, proporcionou algo raro: a possibilidade de falar sobre sentimentos de forma aberta, sem julgamentos e sem filtros.

Iniciativas como essa evidenciam o papel do Centro Universitário São Camilo na construção de uma educação que valoriza não apenas o conhecimento técnico, mas também o desenvolvimento humano, emocional e social dos estudantes.

Porque, no fim das contas, aprender também é isso: olhar para dentro, reconhecer vulnerabilidades e, ainda assim, escolher continuar.

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