Muitas pessoas ainda não sabem que maio é o mês dedicado à conscientização sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs). Conhecida como Maio Roxo, a campanha amplia o acesso à informação e incentiva o diagnóstico precoce de condições que ainda carregam muitos tabus, como a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa.
Além disso, muitas pessoas minimizam sintomas intestinais ou evitam falar sobre o assunto por constrangimento. No entanto, ignorar sinais persistentes pode atrasar o início do tratamento e comprometer a qualidade de vida.
O que são Doenças Inflamatórias Intestinais?
As Doenças Inflamatórias Intestinais correspondem a condições crônicas que provocam inflamação persistente no trato gastrointestinal. Entre as mais conhecidas, estão a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa.
A Doença de Crohn pode atingir qualquer parte do sistema digestivo, da boca ao ânus, além de comprometer diferentes camadas da parede intestinal. Já a Retocolite Ulcerativa afeta principalmente o intestino grosso e o reto, provocando inflamação mais superficial.
Embora apresentem diferenças clínicas, ambas exigem acompanhamento médico contínuo e tratamento individualizado.
Sintomas que não devem ser ignorados
Os sintomas variam de pessoa para pessoa. Ainda assim, alguns sinais merecem atenção especial:
- diarreia crônica;
- urgência para evacuar;
- cólicas ou dor abdominal frequente;
- presença de sangue nas fezes;
- perda de peso sem explicação;
- fadiga persistente;
- redução do apetite.
Muitos pacientes convivem com esses sintomas em silêncio por meses ou até anos. Seja por vergonha, medo ou desinformação, a demora para buscar ajuda médica pode retardar o diagnóstico.
Por isso, as pessoas não devem normalizar alterações intestinais persistentes.
Doença de Crohn x Retocolite Ulcerativa: qual a diferença?
Embora muitas pessoas confundam essas doenças, elas apresentam características distintas.
Doença de Crohn
- pode afetar qualquer trecho do trato digestivo;
- atinge camadas profundas do intestino;
- pode causar fístulas e estreitamentos intestinais.
Retocolite Ulcerativa
- acomete intestino grosso e reto;
- inflama a mucosa intestinal;
- costuma provocar sangramento retal com maior frequência.
Dessa forma, compreender essas diferenças ajuda profissionais e pacientes a direcionarem melhor investigação e tratamento.
Como acontece o diagnóstico?
O diagnóstico das DIIs depende de avaliação clínica detalhada e investigação complementar.
Em geral, médicos costumam solicitar:
- exames laboratoriais;
- exames de imagem;
- colonoscopia;
- biópsias;
- avaliação histológica.
Segundo a Sociedade Brasileira de Coloproctologia, o Brasil registra cerca de 100 casos diagnosticados para cada 100 mil habitantes. (Fonte: Sociedade Brasileira de Coloproctologia — https://sbcp.org.br/)
Esses números mostram, portanto, que as doenças inflamatórias intestinais não representam casos isolados e merecem maior atenção da população.
Tratamento e qualidade de vida
Embora ainda não exista cura definitiva, pacientes podem controlar sintomas, reduzir crises e preservar qualidade de vida com acompanhamento adequado.
O tratamento pode incluir:
- medicamentos anti-inflamatórios e imunobiológicos;
- acompanhamento nutricional;
- suporte psicológico;
- monitoramento clínico periódico.
Além do tratamento medicamentoso, hábitos saudáveis contribuem para o cuidado intestinal e para o bem-estar geral, como prática regular de atividade física, abandono do tabagismo, alimentação equilibrada e ingestão adequada de água.
Campanhas como o Maio Roxo reforçam a importância da educação em saúde e da disseminação de informações confiáveis para estimular o diagnóstico precoce e reduzir estigmas relacionados aos sintomas intestinais. Essa também é uma das frentes valorizadas pelo Centro Universitário São Camilo em suas iniciativas acadêmicas e extensionistas.
Falar sobre saúde intestinal também é cuidado
Muitas pessoas ainda sentem desconforto para falar sobre evacuação, dor abdominal e outros sintomas digestivos. Entretanto, o silêncio pode atrasar a busca por diagnóstico e tratamento.
Observar sinais persistentes, procurar avaliação médica e compreender que sintomas intestinais exigem atenção representam atitudes importantes para prevenção de complicações.
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