A Enfermagem está entre as profissões que mais exigem contato humano. Diariamente, enfermeiros acompanham pacientes em diferentes momentos da vida, acolhem familiares, participam de decisões importantes e atuam em conjunto com equipes multiprofissionais.

Diante dessa realidade, dominar conteúdos técnicos continua sendo fundamental. No entanto, a prática profissional também exige habilidades que favorecem a comunicação, a escuta ativa, a resolução de conflitos e o trabalho colaborativo.

Nesse sentido, as competências socioemocionais contribuem para que os futuros profissionais desenvolvam recursos importantes para lidar com situações complexas e estabelecer relações de confiança nos ambientes de cuidado.

Além disso, essas habilidades auxiliam os estudantes a enfrentarem os desafios da vida universitária. Consequentemente, favorecem a adaptação à rotina acadêmica, fortalecem a aprendizagem e ampliam a capacidade de lidar com situações de pressão e mudança.

Para quem está planejando ingressar na área, compreender as possibilidades de atuação profissional também é uma etapa importante. No conteúdo Curso de Enfermagem: carreira, salário e onde atuar na profissão, é possível conhecer diferentes caminhos da carreira, áreas de especialização e perspectivas para o mercado de trabalho.

Como surgiu o projeto

Com o objetivo de fortalecer essa dimensão da formação acadêmica, o curso de Enfermagem do Centro Universitário São Camilo iniciou, em 2020, a construção de um projeto voltado ao desenvolvimento das competências socioemocionais.

A proposta surgiu a partir da compreensão de que a formação em Enfermagem precisa contemplar não apenas o desenvolvimento técnico, mas também habilidades relacionadas às emoções, aos relacionamentos interpessoais e ao cuidado humanizado. Segundo a coordenadora a Profa. Dra. Maria Cristina de Mello do curso de Enfermagem, essa necessidade motivou a criação de uma iniciativa capaz de integrar as competências socioemocionais à trajetória acadêmica dos estudantes.

“Iniciamos o desenvolvimento do projeto ‘Desenvolvendo as Competências Socioemocionais na Enfermagem’ por volta de 2020, a partir de estudos sobre o tema e do contato com profissionais da área.”

Profa. Dra. Maria Cristina de Mello

Ao longo desse processo, os docentes participaram de encontros para discutir o tema e construir uma matriz de competências capaz de acompanhar o desenvolvimento dos alunos durante toda a graduação.

Além disso, a equipe contou com a contribuição de especialistas na área para estruturar a proposta e definir os caminhos pedagógicos que orientariam sua implementação. Após essa etapa de planejamento, o curso implantou oficialmente o projeto no segundo semestre de 2024.

O modelo Big Five como referência para o desenvolvimento socioemocional

Para organizar o trabalho, a equipe adotou a taxonomia dos Cinco Grandes Fatores da Personalidade, conhecida internacionalmente como Big Five.

Esse modelo organiza o comportamento humano em cinco grandes dimensões e oferece uma base consistente para o desenvolvimento das competências socioemocionais ao longo da formação.

As cinco macrocompetências trabalhadas no projeto são:

  • Autogestão;
  • Engajamento com os outros;
  • Amabilidade;
  • Resiliência emocional;
  • Abertura ao novo.

Por sua vez, essas macrocompetências se desdobram em outras 17 competências socioemocionais que influenciam diretamente a forma como os estudantes aprendem, se relacionam e enfrentam desafios acadêmicos e profissionais.

Na prática, elas contribuem para o fortalecimento de habilidades como responsabilidade, cooperação, empatia, flexibilidade, organização, comunicação e capacidade de adaptação.

Além disso, o modelo permite acompanhar o desenvolvimento dos estudantes de maneira estruturada, favorecendo a construção gradual dessas competências ao longo dos semestres.

Como as atividades acontecem na prática

Para transformar conceitos em experiências concretas, a equipe pedagógica desenvolve atividades ao longo de todo o semestre.

A cada período letivo, professores e coordenação selecionam uma ou duas competências socioemocionais para orientar as ações realizadas com os estudantes. Em seguida, organizam um cronograma mensal de atividades que envolve todas as turmas do curso.

Durante esse processo, os alunos participam de oficinas, jogos colaborativos, dinâmicas em grupo e rodas de conversa. Dessa forma, conseguem refletir sobre suas atitudes, ampliar o autoconhecimento e fortalecer habilidades importantes para a convivência e para a futura atuação profissional.

Além disso, os estudantes realizam autoavaliações antes e depois das atividades. Assim, conseguem acompanhar a própria evolução e identificar mudanças relacionadas às competências trabalhadas durante o semestre.

Essa metodologia incentiva o protagonismo dos alunos no processo de desenvolvimento socioemocional e cria oportunidades para que eles reflitam sobre suas experiências de forma contínua.

Resultados percebidos pelos estudantes

Os resultados observados até o momento têm sido bastante positivos.

De acordo com o acompanhamento realizado pela equipe responsável, aproximadamente 70% dos estudantes perceberam melhorias relacionadas aos comportamentos e competências trabalhados nas atividades.

Além disso, professores e alunos demonstraram uma recepção bastante favorável ao projeto, participando ativamente das ações desenvolvidas ao longo dos semestres.

Mais do que indicadores quantitativos, os resultados apontam para a construção de um ambiente acadêmico mais acolhedor, colaborativo e alinhado às necessidades contemporâneas da formação em saúde.

Ao mesmo tempo, a iniciativa tem contribuído para fortalecer o sentimento de pertencimento ao curso, ampliar o diálogo entre estudantes e docentes e incentivar relações interpessoais mais respeitosas.

Consequentemente, o desenvolvimento socioemocional passa a fazer parte da experiência universitária de forma integrada ao aprendizado técnico e científico.

Muito além da preparação para o mercado de trabalho

Embora as competências socioemocionais sejam frequentemente associadas à empregabilidade, seus benefícios vão muito além da inserção profissional.

Na Enfermagem, essas habilidades influenciam diretamente a maneira como os profissionais se relacionam com pacientes, familiares, colegas de equipe e demais profissionais da saúde.

Além disso, elas contribuem para o desenvolvimento da empatia, da escuta qualificada, da capacidade de resolver conflitos e da adaptação a contextos complexos e desafiadores.

Segundo a Profa. Dra. Maria Cristina de Mello:

“O nosso maior propósito é impulsionar a aprendizagem e o desenvolvimento dos estudantes nas relações interpessoais, além de promover benefícios para a saúde física e mental.”

Profa. Dra. Maria Cristina de Mello

Nesse sentido, o projeto busca promover impactos que ultrapassam a formação acadêmica. Entre eles estão o fortalecimento das relações interpessoais, a promoção do bem-estar, o incentivo à saúde mental e a construção de ambientes mais respeitosos e inclusivos.

Além disso, o desenvolvimento dessas competências pode contribuir para a prevenção de situações de assédio e bullying, fortalecendo a convivência e o respeito mútuo dentro da comunidade acadêmica.

Um olhar para o futuro da Enfermagem

O avanço da tecnologia tem transformado os serviços de saúde em diferentes aspectos. Ainda assim, a essência da Enfermagem continua centrada nas relações humanas e no cuidado com as pessoas.

Nesse cenário, competências como empatia, comunicação, colaboração, resiliência emocional e autogestão tornam-se cada vez mais relevantes para a atuação profissional.

Ao mesmo tempo, hospitais, clínicas e demais instituições de saúde valorizam profissionais capazes de unir conhecimento técnico e habilidades interpessoais.

Por esse motivo, iniciativas voltadas ao desenvolvimento socioemocional representam um importante diferencial na formação dos futuros enfermeiros.

No Centro Universitário São Camilo, essa proposta reforça o compromisso com uma formação integral, capaz de preparar profissionais para responder tanto às demandas técnicas quanto aos desafios humanos presentes na área da saúde.

Por fim, desenvolver competências socioemocionais não significa apenas preparar estudantes para o mercado de trabalho. Significa formar profissionais mais conscientes, preparados para o cuidado e capazes de construir relações que façam a diferença na vida das pessoas.

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