Receber o diagnóstico de câncer de mama pode mudar a rotina, a relação com o próprio corpo e a maneira de compreender a saúde. Entre consultas, tratamentos e adaptações, o bem-estar passa a ter significados que nem sempre se limitam à condição física. Foi essa percepção que motivou uma pesquisa com 15 mulheres atendidas em um serviço especializado de saúde em Minas Gerais.

Publicado em 2021 na Revista Científica O Mundo da Saúde, periódico vinculado ao Centro Universitário São Camilo, o artigo Perspectivas das mulheres com câncer de mama sobre a saúde analisou como essas mulheres avaliavam a própria condição e quais experiências influenciavam suas respostas. A investigação também buscou compreender o papel das vivências pessoais na construção desse significado.

Como foi realizada a pesquisa sobre câncer de mama?

A pesquisa foi desenvolvida por Rebeca Leite Cardoso, Patrícia Aparecida Baumgratz de Paula e Camila Teixeira Vaz, vinculadas à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), campus Governador Valadares.

O estudo reuniu 15 participantes do grupo “Guerreiras”, atendidas no Centro Estadual de Atendimento Especializado (CEAE), em Governador Valadares (MG). Em outubro de 2018, elas responderam a questionários e participaram de uma conversa coletiva sobre suas experiências com a doença e o cuidado em saúde.

A idade mediana das participantes era de 51 anos. Além disso, o tempo médio desde o diagnóstico era de três anos e sete meses, o que permitiu reunir relatos de mulheres que já haviam vivenciado diferentes etapas do tratamento.

Como as mulheres avaliam a própria saúde?

Embora todas as participantes tivessem recebido o diagnóstico de câncer de mama, 53,3% apresentaram uma avaliação moderada da própria saúde, enquanto 40% tiveram uma avaliação considerada boa, conforme os critérios do questionário utilizado.

As conversas ajudaram a compreender esses resultados. Para algumas mulheres, estar saudável permanecia associado à ausência de doença. Outras, porém, relacionavam essa condição ao bem-estar, à possibilidade de realizar atividades cotidianas e à capacidade de lidar com as mudanças provocadas pelo tratamento.

A espiritualidade também apareceu nos relatos. Para parte do grupo, a fé integrava as experiências de enfrentamento, assim como a autoconfiança, a adaptação e a valorização da vida.

Dessa forma, os achados mostram que a avaliação da própria saúde pode envolver aspectos que não são identificados apenas por exames ou indicadores clínicos. Isso não elimina as dificuldades físicas e emocionais do câncer, mas ajuda a compreender como cada pessoa atribui significado às suas experiências.

O papel do acolhimento durante o tratamento

Além dos resultados individuais, as pesquisadoras analisaram a experiência das participantes no grupo Guerreiras. Os encontros reuniam acompanhamento de profissionais de medicina, psicologia, fisioterapia e nutrição, além de oportunidades para compartilhar vivências com outras mulheres.

Segundo as autoras, esse convívio pode ter influenciado a maneira como as participantes avaliavam sua saúde. Entretanto, o estudo não permite estabelecer uma relação de causa e efeito entre a participação no grupo e os resultados encontrados.

Ainda assim, a pesquisa destaca a importância da escuta no cuidado oncológico. Ao conhecer as limitações do cotidiano, as relações de apoio e as crenças de cada mulher, os profissionais podem compreender melhor suas necessidades e considerar essas informações durante o acompanhamento.

Uma contribuição para o cuidado integral

Os resultados indicam que mulheres com experiências clínicas semelhantes podem perceber sua saúde de maneiras diferentes. Por isso, considerar o ponto de vista das pacientes pode contribuir para um atendimento mais individualizado.

É importante observar, porém, que a investigação envolveu apenas 15 mulheres de um mesmo grupo. Assim, suas conclusões não podem ser generalizadas para todas as pacientes com câncer de mama, especialmente aquelas que vivem outras condições de tratamento e acompanhamento.

Mesmo com essa limitação, o estudo contribui para a reflexão sobre o cuidado integral, ao mostrar como a experiência de cada pessoa pode acrescentar informações importantes à avaliação de sua saúde.

Acesse o artigo na íntegra

Para conhecer a metodologia, os resultados e as conclusões da pesquisa, acesse o artigo científico original:

Perspectivas das mulheres com câncer de mama sobre a saúde

https://revistamundodasaude.emnuvens.com.br/mundodasaude/article/view/1110

Como citar o estudo

CARDOSO, Rebeca Leite; PAULA, Patrícia Aparecida Baumgratz de; VAZ, Camila Teixeira. Perspectivas das mulheres com câncer de mama sobre a saúde. O Mundo da Saúde, v. 45, p. 242-249, 2021. DOI: 10.15343/0104-7809.202145242249.

Para saber mais

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https://revistamundodasaude.emnuvens.com.br/mundodasaude

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