Pesquisa de Nutrição da São Camilo premiada no Congresso Brasileiro de Nutrologia

Uma pesquisa de Nutrição da São Camilo, desenvolvida em projeto de iniciação científica orientado pela Profa. Deborah Masquio, conquistou o 3º lugar no Congresso Brasileiro de Nutrologia.

Promovido pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), o evento recebeu aproximadamente 640 trabalhos científicos. Desse total, apenas dez foram selecionados para apresentação oral.

3º lugar no congresso
640 trabalhos aproximadamente
10 selecionados para apresentação oral

Intitulado “Maior duração da janela alimentar associa-se ao IMC e à adiposidade visceral em adolescentes com obesidade”, o estudo contou com a participação de Letícia Xavier de Almeida, egressa de Nutrição da São Camilo.

A pesquisa investigou possíveis relações entre os horários das refeições, o perfil metabólico e mecanismos envolvidos na regulação do apetite em adolescentes com obesidade.

Além da quantidade e da qualidade dos alimentos, o estudo buscou compreender se a distribuição dos horários das refeições também pode contribuir para a análise dos hábitos alimentares na adolescência.

O que os resultados da pesquisa revelaram?

Um dos principais achados foi a associação entre uma janela alimentar mais longa e valores mais elevados de índice de massa corporal (IMC) e adiposidade visceral.

A adiposidade visceral corresponde ao acúmulo de gordura na região interna do abdômen, ao redor dos órgãos.

Janela alimentar mais longa

Foi associada a valores mais elevados de IMC e adiposidade visceral entre os participantes analisados.

Adiponectina e leptina

O estudo identificou uma relação menos favorável entre essas substâncias, envolvidas no metabolismo, no equilíbrio energético e em processos relacionados à obesidade.

O que o estudo observou sobre fome e jejum?

Outro resultado envolveu o AgRP, um neuropeptídeo que atua no cérebro e participa dos mecanismos relacionados ao aumento da fome.

Nesse caso, foram encontradas associações entre esse marcador e determinados períodos de jejum ou omissão de refeições.

Dessa forma, os achados sugerem que a distribuição dos horários alimentares pode ser um aspecto relevante na investigação do comportamento alimentar de adolescentes com obesidade.

Profa. Deborah Masquio
“Esses resultados reforçam que, ao estudarmos a alimentação de adolescentes com obesidade, talvez seja necessário olhar além do que e de quanto eles comem.” Profa. Deborah Masquio

Os horários das refeições causam obesidade?

Não. Os achados não significam que os horários das refeições causem, isoladamente, o desenvolvimento da obesidade.

A condição envolve fatores biológicos, comportamentais, sociais e ambientais. Por isso, pesquisadores e profissionais da saúde precisam considerar diferentes aspectos ao estudar o tema.

O trabalho também não recomenda prolongar períodos de jejum ou modificar refeições sem acompanhamento profissional.

O principal valor da pesquisa está nas associações identificadas, que podem orientar novas investigações sobre comportamento alimentar e saúde metabólica durante a adolescência.

Da iniciação científica ao reconhecimento nacional

A apresentação no congresso foi resultado de um percurso iniciado antes da premiação. O desenvolvimento da pesquisa envolveu diferentes etapas da produção científica.

1 Pergunta científica Definição do problema que orientaria a investigação.
2 Estudo da literatura Consulta ao conhecimento científico disponível sobre o tema.
3 Análise dos dados Organização e interpretação das informações utilizadas na pesquisa.
4 Apresentação científica Preparação do trabalho para compartilhamento com a comunidade acadêmica.

O que a conquista representou para a egressa?

Para Letícia Xavier de Almeida, o reconhecimento trouxe um sentimento de gratidão e realização. A egressa relembrou os anos dedicados à pesquisa, os desafios enfrentados durante o projeto e a importância da orientação recebida.

“Para mim, como aluna, esta conquista representa muito mais do que um marco individual, é a validação de que estou no caminho certo e um combustível para a minha trajetória acadêmica.”

Letícia Almeida, egressa de Nutrição

A experiência também permitiu que Letícia ampliasse seus conhecimentos e compreendesse melhor os desafios da produção científica.

Ao longo do projeto, ela vivenciou etapas que exigiram organização, persistência e dedicação. Na Nutrição, área em constante atualização, esse contato com a pesquisa também contribui para desenvolver pensamento crítico e capacidade de avaliar evidências científicas.

Pesquisa científica desde a graduação

Profa. Deborah Masquio
“Essa conquista mostra aos estudantes que a pesquisa científica pode e deve fazer parte da formação desde a graduação.” Profa. Deborah Masquio

Além disso, congressos científicos permitem compartilhar resultados, conhecer estudos desenvolvidos por outras instituições e aproximar estudantes de profissionais e pesquisadores com diferentes experiências.

Parceria com a UNIFESP contribuiu para o desenvolvimento do estudo

O projeto contou com a parceria do Grupo de Estudos da Obesidade (GEO), da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

O grupo é coordenado pela Profa. Dra. Ana Dâmaso e reuniu uma equipe de pesquisadores envolvida na coleta dos dados.

Posteriormente, o projeto de iniciação científica desenvolvido no Centro Universitário São Camilo utilizou essas informações para aprofundar a investigação.

A colaboração reuniu experiências e conhecimentos de diferentes pesquisadores, contribuindo para o desenvolvimento do estudo e para a formação científica da estudante.

Um prêmio que também aponta para novas pesquisas

O terceiro lugar no Congresso Brasileiro de Nutrologia representa uma etapa importante dessa trajetória.

Para estudantes de Nutrição, a experiência também mostra como a produção científica pode fazer parte da formação desde a graduação.

Ao mesmo tempo, os resultados abrem espaço para novas perguntas. Afinal, a pesquisa científica avança a partir da investigação contínua, do trabalho coletivo e da busca por respostas para questões relacionadas à saúde da população.

Créditos

Foto da capa: site da ABRAN.