Matéria da jornalista Samantha Cerquetani publicada no portal Viva Bem da UOL com participação de Deborah Masquio, nutricionista, docente do Centro Universitário São Camilo.

Para quem busca praticidade sem abrir mão de uma alimentação equilibrada, os snacks industrializados costumam fazer parte da rotina. Mas antes de colocá-los no carrinho, é importante checar além das promessas da embalagem. Termos como “fit”, “natural” ou “sem açúcar” nem sempre significam que a escolha é realmente saudável.

A boa notícia é que é possível encontrar opções com melhor perfil nutricional. Com um olhar mais atento aos ingredientes, fica mais fácil incluir esses produtos no dia a dia sem comprometer a saúde.

A seguir, veja o que observar na hora de escolher snacks industrializados e como identificar opções mais equilibradas.

Industrializado pode ser saudável?

A resposta não é tão simples. Nem todo produto industrializado é ultraprocessado, que concentra açúcar, sódio, gordura e aditivos em excesso. Existem itens industrializados com lista de ingredientes curta, menos processados e perfil nutricional equilibrado.

O desafio é identificar esses produtos no meio de tantas opções, lendo atentamente os rótulos e priorizando a qualidade da composição. De qualquer forma, itens industrializados devem ser consumidos com moderação, sem substituir alimentos naturais, como frutas e legumes ou produtos minimamente processados.

Como saber se um snack industrializado é saudável?

Nem sempre é fácil avaliar se um snack industrializado é saudável só pela embalagem. A melhor estratégia é prestar atenção aos rótulos, à lista de ingredientes, à tabela nutricional e aos símbolos de advertência.

O que observar no rótulo dos snacks industrializados?

Algumas informações ajudam a comparar produtos e entender melhor o que está sendo consumido:

Lista de ingredientes: quanto menor e mais simples, melhor. Os ingredientes aparecem em ordem de quantidade. Evite produtos em que os primeiros itens sejam açúcar, óleo vegetal refinado, farinha branca, amido modificado ou xarope de glicose.

Tabela nutricional: observe calorias, gorduras totais, saturadas e trans, açúcares totais/adição e sódio, tanto por porção quanto por 100 g. Comparar por 100 g ajuda a evitar pegadinhas de porções muito pequenas.

Rotulagem frontal: símbolos de advertência indicam “alto em” açúcar adicionado, sódio ou gordura saturada, alertando rapidamente sobre componentes críticos.

Presença de aditivos: corantes, aromatizantes, conservantes ou realçadores de sabor (como glutamato monossódico, BHT ou BHA) indicam alto processamento. Quanto mais nomes desconhecidos, pior o perfil nutricional.

Açúcares e fibras: escolha snacks com até 5 g de açúcar por porção e evite quando houver “açúcar”, “xarope de glicose”, “maltodextrina” logo no início da lista de ingredientes. Sempre que possível, priorize produtos com 3 g ou mais de fibras.

Quem deve ter mais cuidado com snacks industrializados?

Alguns grupos específicos devem redobrar a atenção ao consumir snacks industrializados, pois determinados ingredientes podem trazer riscos à saúde:

Quem busca perder peso ou controlar a compulsão alimentar: snacks muito palatáveis e pouco saciantes facilitam o consumo exagerado.

Crianças e adolescentes: são mais sensíveis ao excesso de aditivos, açúcar e sódio, que podem influenciar no desenvolvimento e nos hábitos alimentares.

Gestantes: o consumo em excesso pode levar ao ganho de peso acelerado e comprometer a qualidade da dieta.

Pessoas hipertensas: alto teor de sódio presente em muitos snacks pode elevar a pressão arterial.

Pessoas com diabetes: açúcares escondidos e alta carga glicêmica dificultam o controle da glicemia.

Indivíduos com doenças do trato gastrointestinal: aditivos podem irritar o intestino e piorar sintomas.

Fontes: Monica Assumpção, nutricionista e docente da UFAL (Universidade Federal de Alagoas); Deborah Masquio, nutricionista, docente do Centro Universitário São Camilo e pesquisadora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo); Alvaro Mielke, docente dos cursos de Gastronomia e Nutrição da Cruzeiro do Sul Virtual.

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