Celebrado em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência chama a atenção para a importância da acessibilidade, da autonomia e da participação social.

Instituída pela Lei nº 11.133/2005, a data também convida à reflexão sobre as diferentes barreiras que ainda podem limitar a participação de pessoas com deficiência na sociedade.

No ensino superior, essa discussão ganha uma dimensão particular. A universidade é espaço de formação profissional, convivência, desenvolvimento pessoal e construção de projetos para o futuro.

Inclusão não se resume ao acesso físico

Ela também envolve comunicação, práticas pedagógicas, recursos de aprendizagem, atitudes e condições que permitam a cada estudante participar da vida acadêmica com autonomia.

Acessibilidade na universidade vai além do espaço físico

Rampas, elevadores, banheiros acessíveis e outros recursos arquitetônicos são fundamentais. No ensino superior, porém, a acessibilidade também precisa estar presente na comunicação, nas atividades acadêmicas e nas estratégias de ensino.

Uma aula em laboratório, um vídeo, uma avaliação, uma atividade prática ou um estágio podem exigir recursos diferentes de acordo com as necessidades de cada estudante.

Acessibilidade arquitetônica

Envolve circulação, acesso aos espaços e eliminação de barreiras físicas.

Acessibilidade comunicacional

Considera diferentes formas de receber e transmitir informações.

Acessibilidade metodológica

Relaciona-se a estratégias de ensino e avaliação que favoreçam a participação.

Acessibilidade atitudinal

Envolve combater preconceitos, estereótipos e ideias antecipadas sobre capacidades.

Não existe uma experiência única de deficiência. Necessidades relacionadas à deficiência auditiva, visual ou motora, por exemplo, podem ser bastante diferentes entre si.

Por isso, a escuta é fundamental. Em vez de presumir o que uma pessoa precisa, conversar com ela ajuda a identificar barreiras e construir estratégias adequadas.

Marcelino: formação, esporte e construção de autonomia

Marcelino Maia, estudante de Nutrição do Centro Universitário São Camilo, é uma pessoa com deficiência em decorrência da mielomeningocele.

Sua chegada à graduação aconteceu em 2023, após aprovação pelo ProUni. No início, havia dúvidas sobre como realizaria algumas atividades práticas do curso.

Marcelino Maia, estudante de Nutrição do Centro Universitário São Camilo

Nas aulas de Técnica Dietética, Marcelino desenvolveu novas habilidades e conquistou mais autonomia na cozinha, passando também a preparar sua própria alimentação em casa.

Sua experiência pessoal influenciou seus planos profissionais. Ele pretende atuar com pessoas com deficiência e contribuir para ampliar qualidade de vida e autonomia.

“Minha missão só será cumprida quando eu estiver formado e as pessoas com deficiência tiverem mais qualidade de vida e autonomia.”

Marcelino Maia — estudante de Nutrição

Durante a iniciação científica, Marcelino também trabalhou com atletas de sua própria equipe, aproximando sua formação em Nutrição de uma realidade que conhece de perto.

Sua trajetória já foi apresentada no Blog São Camilo na matéria Estudante de Nutrição é fera na esgrima paralímpica .

Bianca: autoconhecimento e escolha profissional

Bianca Ester, estudante de Enfermagem, descobriu durante a adolescência que possui perda auditiva bilateral mista de grau moderado e severo.

O diagnóstico trouxe mudanças para sua rotina e iniciou um processo importante de autoconhecimento.

Bianca Ester, estudante de Enfermagem do Centro Universitário São Camilo

Com o uso dos aparelhos auditivos, Bianca voltou a perceber com mais clareza sons do cotidiano.

Ao mesmo tempo, precisou compreender como sua condição poderia se relacionar com a graduação e com a futura atuação profissional na Enfermagem.

“Eu acredito que foi um dos momentos de virada de chave da minha vida.”

Bianca Ester — estudante de Enfermagem

Sua experiência mostra como conhecer as próprias necessidades e identificar recursos adequados também pode fazer parte da construção da autonomia.

Professor Cauê: Medicina, docência e experiência

Cauê Mônaco é médico e docente do curso de Medicina do Centro Universitário São Camilo, onde atua há cerca de 15 anos.

Seu interesse pela educação médica começou ainda durante a graduação e, posteriormente, tornou-se parte importante de sua trajetória profissional.

Professor Cauê Mônaco, docente do curso de Medicina do Centro Universitário São Camilo

Conviver desde a infância com uma condição crônica associada à deficiência motora também influenciou sua maneira de exercer a Medicina.

As experiências como paciente contribuíram para ampliar sua percepção sobre as necessidades de quem recebe cuidado, aspecto que procura compartilhar com seus alunos.

“O aprendizado e o conhecimento são o que leva o ser humano a superar suas limitações e transpor barreiras.”

Prof. Dr. Cauê Mônaco — curso de Medicina

Cauê também colabora com o Núcleo de Acessibilidade Pedagógica (NAPe), contribuindo com discussões sobre condições e adaptações relacionadas à formação de pessoas com deficiência.

Christopher: inclusão também faz parte da vida profissional

Christopher Reis atua no setor de Marketing do Centro Universitário São Camilo e é uma pessoa com deficiência em decorrência de paralisia cerebral hemiplégica espástica.

Sua trajetória amplia o olhar da matéria ao incluir também a experiência da pessoa com deficiência no ambiente profissional.

Christopher Reis, profissional do setor de Marketing do Centro Universitário São Camilo

Formado na área em que atua, Christopher destaca a importância da oportunidade de desenvolvimento profissional e também o desejo de representar outras pessoas com deficiência.

“Agradeço muito ao Centro Universitário São Camilo pela evolução profissional que estou tendo. Meu grande sonho é ser inspiração para outras pessoas com deficiência.”

Christopher Reis — Comunicação e Marketing

Como o NAPe atua na acessibilidade pedagógica

A inclusão no ensino superior também depende de acompanhamento institucional e da construção de estratégias pedagógicas adequadas às necessidades dos estudantes.

No Centro Universitário São Camilo, uma das principais frentes desse trabalho é o Núcleo de Acessibilidade Pedagógica (NAPe) .

O NAPe acompanha estudantes com deficiência e transtornos do neurodesenvolvimento

O objetivo é contribuir para que os estudantes tenham condições adequadas de aprendizagem e participação acadêmica.

177 estudantes ativos no NAPe
317 estudantes acompanhados desde a implantação
47 entrevistas realizadas em 2026 até setembro
149 reuniões de acompanhamento em 2026 até setembro

O trabalho é realizado por uma equipe multidisciplinar formada por pedagogas, psicólogas e professores colaboradores de diferentes áreas.

O Núcleo também conta com monitores, promove oficinas de apoio à aprendizagem e mantém diálogo com docentes e coordenações para acompanhar necessidades pedagógicas.

Em 2026, o NAPe passou a contar ainda com um sistema de consulta e acompanhamento acadêmico desenvolvido em conjunto com a equipe de TI, centralizando informações e facilitando a comunicação institucional.

Em 2027, o NAPe completa dez anos de atuação no Centro Universitário São Camilo.

Como o NAPe atua na acessibilidade pedagógica

O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência abre espaço para discutir acessibilidade, autonomia, direitos e participação social. Na universidade, porém, essas questões fazem parte do cotidiano.

Uma experiência universitária mais inclusiva depende da capacidade de reconhecer barreiras e construir respostas que considerem as necessidades de cada pessoa.

Comunicação clara, materiais acessíveis, estratégias pedagógicas adequadas e atitudes baseadas em respeito e escuta podem favorecer a participação de toda a comunidade acadêmica.

As trajetórias de Marcelino, Bianca, Cauê e Christopher mostram que não existe uma única maneira de estudar, trabalhar, ensinar ou construir autonomia.

Muito além de presumir capacidades ou limitações, inclusão também significa criar condições para que cada pessoa possa aprender, participar, fazer escolhas e desenvolver sua própria trajetória.