
A quantidade de chuva influencia a concentração de berílio-7 (⁷Be) encontrada na precipitação em São Paulo. A pesquisa identificou essa relação ao acompanhar seis pontos da capital durante dois anos e analisar 321 amostras, reunindo dados de precipitação e da composição das águas coletadas.
O Prof. Dr. Lucio Leonardo, docente e coordenador no Centro Universitário São Camilo, é o primeiro autor do trabalho. A pesquisa também contou com S. R. Damatto, R. M. Domingos, J. C. Ulrich, L. R. Monteiro e M. P. A. Potiens, pesquisadores do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen).
Rafael Martins Domingos é egresso do Centro Universitário São Camilo, onde realizou a graduação e a pós-graduação em Ressonância Magnética e Tomografia Computadorizada em Saúde. Durante o mestrado no Ipen, contribuiu para a pesquisa auxiliando nas medidas gama das amostras analisadas.
Dois dos seis pontos utilizados para a coleta de dados de precipitação estavam nos campi Ipiranga e Pompeia da São Camilo. Além disso, o acompanhamento ocorreu ao longo de dois anos e gerou um amplo conjunto de dados, que a equipe analisou por métodos estatísticos.
O estudo, intitulado “⁷Be as a Tracer of Atmospheric Processes in Rainfall in São Paulo: Correlations with Major Ions and Trace Metals”, integrou a programação da International Nuclear Atlantic Conference (INAC 2026), realizada na Escola de Guerra Naval, no Rio de Janeiro.
O que a pesquisa revelou
O berílio-7 (⁷Be) é um radionuclídeo de origem natural produzido nas camadas superiores da atmosfera. Associado a partículas, ele pode chegar à superfície pela chuva. Por essa característica, os pesquisadores podem utilizá-lo como um traçador para investigar processos atmosféricos relacionados à remoção de partículas pela precipitação.
Para investigar esse comportamento em São Paulo, os pesquisadores analisaram 321 amostras de precipitação, coletadas semanalmente entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024. A equipe também avaliou diferentes metais e íons presentes na água da chuva.
Entre os principais resultados, o estudo identificou uma relação inversa entre a concentração de ⁷Be e o volume de chuva. Ou seja, quanto maior a precipitação, menor tende a ser a concentração encontrada nas amostras. Esse comportamento está relacionado ao efeito de diluição.
Além disso, os níveis de ⁷Be foram mais elevados nos períodos secos, especialmente no inverno, enquanto períodos de chuvas mais intensas apresentaram valores menores. Ao comparar os seis pontos de coleta, os pesquisadores encontraram poucas diferenças na distribuição do ⁷Be. Assim, os resultados indicam que a variação ocorreu principalmente ao longo do tempo, e não entre os locais analisados.
Análise química reforça os resultados
A análise da composição química trouxe outras informações. A equipe identificou correlações moderadas entre o ⁷Be e elementos associados a materiais de origem mineral, como bário, manganês, alumínio e ferro. Já chumbo e zinco apresentaram correlações fracas com o radionuclídeo.
Um dos locais monitorados, identificado no estudo como WE, apresentou concentrações mais elevadas de alguns elementos. Apesar dessa diferença na composição química, o comportamento do ⁷Be permaneceu semelhante ao encontrado nos demais pontos.
Por isso, os pesquisadores repetiram as análises sem os dados desse local para verificar sua influência sobre os resultados. Ainda assim, a nova análise confirmou os principais achados, inclusive a relação negativa entre o ⁷Be e o volume de chuva. Dessa forma, a diferença identificada naquele ponto não alterou a interpretação geral do estudo.
O que os resultados significam
Em conjunto, os resultados reforçam o potencial do ⁷Be para acompanhar processos de remoção de partículas da atmosfera pela chuva. Na prática, a pesquisa ajuda a compreender como a precipitação se relaciona com a presença e o transporte de determinados componentes atmosféricos.
No entanto, o estudo também estabelece um limite importante: o ⁷Be, quando analisado isoladamente, não permite distinguir fontes locais. Por esse motivo, os pesquisadores precisam combinar informações químicas, espaciais e estatísticas para interpretar os processos que ocorrem em um ambiente urbano complexo como São Paulo.
Dessa forma, a pesquisa mostra como a análise da água da chuva pode fornecer informações sobre fenômenos que acontecem na atmosfera. Ao reunir diferentes métodos e locais de coleta, a equipe consegue observar padrões mais abrangentes e, ao mesmo tempo, identificar particularidades de determinados pontos da cidade.
São Camilo na INAC 2026
A participação no estudo também integrou uma presença mais ampla do Centro Universitário São Camilo na Conferência Internacional Nuclear do Atlântico (INAC 2026), considerada, conforme as informações institucionais fornecidas, o maior e mais importante evento do setor nuclear na América Latina.
Representando a Instituição, o Prof. Dr. Lucio Leonardo apresentou três trabalhos científicos no XVII Encontro de Aplicações Nucleares (ENAN). Entre eles, um contou com a coautoria de um egresso da São Camilo, ampliando a participação da comunidade acadêmica da Instituição no evento.
Além disso, o professor participou das três últimas edições da INAC e considera a pesquisa sobre o berílio-7, na qual é o primeiro autor, a mais significativa entre suas participações recentes:

“Tenho participado nas últimas 3 edições e esse trabalho principal, que sou o 1º autor, é o mais significativo.”
Prof. Dr. Lucio Leonardo
Acervo Pessoal
Sob o tema “Energia Nuclear: Átomos para um Futuro Verde”, a INAC 2026 reuniu trabalhos e discussões relacionados às aplicações da área nuclear. Nesse contexto, a participação do professor e a presença de pesquisas com vínculo com a São Camilo contribuem para aproximar ensino, produção científica e formação acadêmica.
A participação nas últimas edições também demonstra a continuidade da atuação do professor no evento. Em 2026, seu trabalho aborda a aplicação de técnicas da área nuclear na investigação de processos atmosféricos em São Paulo.
Acesse o artigo na íntegra
Para conhecer os métodos, análises e resultados apresentados no trabalho:
https://blog.saocamilo-sp.br/wp-content/uploads/2026/09/Lucio-Leonardo-INAC_2026.pdf
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