
Todo dia 15 de setembro carrega um significado especial para quem faz parte da comunidade camiliana. O Dia do Camiliano é um convite para conhecer uma história que atravessou séculos e refletir sobre valores que permanecem atuais: cuidado, respeito à dignidade humana, escuta e compromisso com o outro.
A escolha da data tem uma razão histórica. Em 15 de setembro de 1922, os padres Inocente Radrizzani e Eugênio Dallagiacoma, da Ordem dos Ministros dos Enfermos, desembarcaram no Brasil vindos da Itália. A missão inicialmente seguiria para Mariana, em Minas Gerais, e marcaria o início da presença camiliana no país.

Mas compreender o significado dessa trajetória também exige voltar um pouco mais no tempo e conhecer aquele que inspirou essa missão.
O legado de São Camilo de Lellis
São Camilo de Lellis (1550–1614), fundador da Ordem dos Ministros dos Enfermos, deixou como legado uma forma de cuidar que procura enxergar a pessoa para além de sua enfermidade. Séculos depois, esse princípio continua orientando a atuação camiliana e ganhou novas formas de expressão na saúde, na educação e na ação social.

No Brasil, a chegada dos primeiros camilianos em 1922 deu continuidade a essa missão. Ao longo das décadas, sua atuação se expandiu, mantendo como referência o cuidado com a vida e a atenção à pessoa. Para conhecer mais sobre esse percurso, leia também O legado da saúde e do ensino: a trajetória dos camilianos no Brasil.
Esse legado não se resume, portanto, à trajetória de uma ordem religiosa. Seus fundamentos ajudam a compreender uma maneira de se relacionar com o outro que une conhecimento, responsabilidade, sensibilidade e respeito à dignidade humana.
Uma das expressões mais claras dessa identidade está na Carta de Princípios do São Camilo Brasil.
Carta de Princípios: valores que orientam a missão camiliana
A Carta de Princípios apresenta fundamentos que orientam a identidade e as decisões das instituições camilianas. Inspirada no carisma de São Camilo, ela coloca o cuidado à vida no centro dessa atuação e atualiza esse legado diante dos desafios contemporâneos.
Um dos aspectos centrais do documento é compreender a pessoa em sua integralidade. Assim, o cuidado considera diferentes dimensões da vida, incluindo aspectos biológicos, psíquicos, sociais e espirituais.
Além disso, a Carta defende a dignidade humana e destaca atitudes como cuidado responsável, escuta atenta e empática e profissionalismo humanizado. É nesse contexto que aparece uma expressão particularmente significativa associada a São Camilo: “colocar o coração nas mãos”.
Em termos simples, competência e sensibilidade não precisam seguir caminhos separados. O conhecimento técnico é fundamental, porém a maneira como ele é colocado a serviço das pessoas também importa.
Para a comunidade do Centro Universitário São Camilo, esses princípios ajudam a transformar uma herança histórica em atitudes presentes na forma de ensinar e aprender, nas relações humanas, na escuta e no cuidado com o outro.
O olhar camiliano na prática
Os princípios apresentados na Carta ganham uma dimensão mais próxima quando aparecem nas experiências de quem integra a comunidade camiliana. São diferentes trajetórias e formas de viver essa identidade, seja na assistência, na formação acadêmica, na educação, no trabalho ou na convivência.

Cuidado que se aprende e se pratica
Thaís de Sousa, coordenadora clínica do Promove São Camilo e também formada pelo Centro Universitário, construiu uma trajetória de quase 13 anos na instituição. Nesse período, acompanhou diferentes momentos profissionais até chegar à coordenação clínica do Promove, espaço em que ensino, assistência, extensão e pesquisa se encontram.
Ao refletir sobre o que significa ser camiliana, Thaís destaca:

“Ao longo desses anos, também compreendi que a identidade camiliana está muito presente nas pequenas atitudes: na escuta atenta, no acolhimento, no respeito, na ética e na maneira como enxergamos cada pessoa que passa pelos nossos serviços.”
Thaís de Sousa – Coordenadora clínica
Esse olhar também começa a ser construído durante a formação. Giovanna Garcia, aluna do 6º semestre do curso de Biomedicina do Centro Universitário São Camilo, vivencia essa trajetória por meio dos conhecimentos adquiridos em sala de aula, das experiências práticas, dos desafios e dos encontros que contribuem para seu crescimento pessoal e para a construção de seu futuro profissional.
Ao falar sobre sua relação com a identidade camiliana, Giovanna resume:

“Ser camiliano, para mim, é ter orgulho de fazer parte de uma instituição que valoriza o cuidado, o respeito e o compromisso com a saúde.”
Giovanna Garcia – Aluna de Biomedicina
Educação, acolhimento e responsabilidade
Na educação, esses valores também alcançam quem participa diretamente da formação de novos profissionais. Vanessa Botião, coordenadora do curso técnico do Colégio São Camilo, relaciona sua trajetória na instituição ao crescimento profissional e pessoal e à convicção de que a educação pode transformar vidas.
Para ela, os princípios camilianos ultrapassam a sala de aula:

“Fazer parte dessa comunidade significa carregar comigo valores que ultrapassam a sala de aula e que se refletem na forma como acolhemos, cuidamos e contribuímos para a formação de novos profissionais.”
Vanessa Botião – Coordenadora do Colégio São Camilo
Por outro lado, o cuidado não está restrito à assistência presencial ou à sala de aula. Adalberto Bene, tutor EAD da São Camilo, destaca como a responsabilidade e o compromisso com o outro também estão presentes nas diferentes atividades realizadas no cotidiano:

“Como colaborador, acredito que o cuidado não acontece apenas na assistência, mas também em cada atitude, em cada atendimento e em cada tarefa realizada com responsabilidade.”
Adalberto Bene – Tutor EaD
Sua percepção mostra que diferentes funções contribuem para uma missão que tem a dignidade humana como um de seus fundamentos.






Os espaços de aprendizagem fazem parte das experiências, dos encontros e dos vínculos construídos na trajetória camiliana. Fotos: Centro Universitário São Camilo.
Vínculos construídos ao longo da trajetória
Na docência, a identidade camiliana também aparece nas relações construídas durante a vida acadêmica. Para Jeanette, docente do curso de Fisioterapia, a São Camilo é um espaço de conhecimento, mas também de encontros e vínculos.

“Não é só um local de estudo, é o local onde a gente se conecta, onde eu fiz verdadeiras amizades. Para mim, ser camiliano é poder mostrar, em coisas simples, que a felicidade está em fazer o bem e em poder ver nos outros que somos todos iguais, que somos todos irmãos perante Deus.”
Jeanette Lucato – Docente de Fisioterapia
Valores que seguem com os egressos
Além disso, a identidade camiliana pode permanecer depois da conclusão da graduação. Leonardo Bertequini, formado em Nutrição e egresso do Centro Universitário São Camilo, destaca que sua formação deixou aprendizados que vão além do conhecimento técnico, como responsabilidade, dedicação, ética e respeito.
Para Leonardo, ser camiliano também significa reconhecer o impacto que cada pessoa pode ter na vida de quem está ao seu redor:

“Respeitar as pessoas e fazê-las se sentirem visíveis e ouvidas, isso é ser camiliano e digo com muito orgulho!”
Leonardo Bertequini – Egresso de Nutrição
Essa continuidade também aparece no relato de Kaique Uchimura, formado em Medicina e egresso do Centro Universitário São Camilo. Para ele, a graduação foi marcada não apenas pelo conhecimento técnico, mas também por valores, propósito e pelo compromisso de cuidar do outro.
As experiências vividas durante a graduação e nos estágios reforçaram a importância de enxergar cada pessoa em sua integralidade. Kaique sintetiza esse aprendizado:

“No Centro Universitário São Camilo, aprendemos que a excelência profissional caminha lado a lado com a humanização, e que cada paciente deve ser visto em sua totalidade.”
Kaique Uchimura – Egresso de Medicina
Assim, as sete experiências partem de lugares diferentes, mas se encontram em valores comuns. Nesse sentido, Thaís traz a escuta e o acolhimento; Giovanna, a formação e o pertencimento; Vanessa, a educação; Adalberto, a responsabilidade; Jeanette, os vínculos e o fazer o bem; Leonardo, a continuidade desses valores depois da graduação; e Kaique, por fim, a união entre excelência profissional e humanização.
Dessa forma, cada trajetória revela uma maneira própria de vivenciar a identidade camiliana e mostra como seus princípios podem acompanhar diferentes momentos da formação, do trabalho e da vida.
O que significa ser camiliano?
Ser camiliano vai além de pertencer a uma instituição ou conhecer a história de São Camilo de Lellis. É compartilhar uma identidade fundamentada na dignidade humana, na ética, na escuta e no respeito ao outro.
Para estudantes, educadores, profissionais da saúde e colaboradores, esses valores encontram espaço na maneira de aprender, ensinar, trabalhar e cuidar.
É nesse sentido que a expressão associada ao legado de São Camilo, “colocar o coração nas mãos”, permanece tão significativa: ela traduz uma forma de agir em que conhecimento e humanidade caminham juntos.
Em 15 de setembro, celebrar o Dia do Camiliano é reconhecer essa herança e, sobretudo, as pessoas que continuam dando sentido a ela.
Deixe um comentário