Nutricionistas explicam as características das principais opções no mercado e quais priorizar
Navegando pelas prateleiras de óleo no supermercado, uma dúvida pode pairar no ar: qual a opção mais saudável para cozinhar? É verdade que o azeite de oliva ostenta a fama de ser o mais benéfico para a saúde, mas será que existem alternativas?
Para responder essas perguntas, é preciso considerar algumas características, como os nutrientes e o quanto cada óleo sofre alterações quando submetido às altas temperaturas.
Também é importante entender que os óleos e gorduras são compostos por ácidos graxos, que se dividem em três categorias: saturados, monoinsaturados e poli-insaturados. A principal diferença entre os óleos está na proporção e no tipo de ácidos graxos que eles contêm, explica a nutricionista Sandra Chemin, coordenadora do curso de Nutrição do Centro Universitário São Camilo, em São Paulo.
Impacto dos Ácidos Graxos e do Ponto de Fumaça na Escolha de Óleos para Cozinha
Os ácidos graxos saturados, quando consumidos em excesso, podem elevar o colesterol ruim e aumentar o risco de doenças cardíacas. Já os monoinsaturados são benéficos para a saúde, ajudando a reduzir o colesterol ruim. os poli-insaturados, Por outro lado, incluem o ômega 3, essencial para o desenvolvimento cerebral e ocular, e ômega 6, importante para o metabolismo e a imunidade. Ademais, os dois têm ainda ação antioxidante, protegendo as células dos efeitos de radicais livres.
O ponto de fumaça é outro aspecto que pode ser considerado. Esse termo diz respeito à temperatura a partir da qual o óleo passa a queimar e oxidar, gerando fumaça e compostos associados a maior risco de desenvolvimento de câncer. De acordo Lara Natacci, pós-doutorado em alimentação e saúde mental pela Universidade de São Paulo (USP), a temperatura média de fritura é 180 ºC e eles não podem ser utilizados mais do que duas vezes.
Além disso, óleos que possuem mais nutrientes com ação antioxidante e ácidos graxos essenciais, como ômega 3 e ômega 9, oferecem maior proteção contra o calor intenso e proporcionam um valor nutricional superior. Veja abaixo o ponto de fumaça, vantagens e desvantagens das principais opções.
Óleo de Soja – 240 °C
Extraído da soja, é mais usado em frituras, pois possui ponto de fumaça mais alto. No entanto, é o menos recomendado devido à composição nutricional.
Ele possui uma maior quantidade de ômega 6 em relação ao ômega 3, o que pode ser uma desvantagem, segundo Chemin. “O ômega 3 tem um fator antitrombótico, ou seja, ele evita a adesão de trombos. Já o ômega 6 facilita. Existe em equilíbrio no nosso corpo, porém, quando há maior quantidade de ômega 3, há a possibilidade de evitar a formação de trombos e, como consequência, um infarto, por exemplo”, explica.
Isso não significa, contudo, que ele seja necessariamente prejudicial — só não é o campeão em saudabilidade.
Azeite de oliva – 175 °C
“Um dos melhores óleos”, avalia Chemin. O azeite de oliva possui bastante gordura monoinsaturada e pouca gordura saturada, além de apresentar polifenóis, que são potentes antioxidantes. Segundo Natacci, ele ainda é rico em ômega 9, que ajuda a absorver vitaminas com mais eficiência e atua no controle do colesterol.
Em menores percentuais, o azeite também contém outros ácidos graxos saturados e insaturados, como ômega 6, 7 e 3. Por isso, é a opção mais saudável. Ele, porém, não deve ser utilizado em frituras de imersão, pois perde o valor nutricional após longo tempo em temperaturas altas.
Óleo de Girassol – 183 °C
Extraído das sementes de girassol e conhecido pelo sabor neutro, ele é muito usado em molhos e outras preparações em que o sabor do óleo não deve prevalecer.
É formado especialmente por dois ácidos graxos insaturados, sendo um da família ômega 9 e outro da família ômega 6, respectivamente. Segundo Chemin, sua composição nutricional faz dele um óleo excelente, figurando entre as melhores opções para a saúde.
Óleo de Milho – 215 °C
Extraído dos grãos de milho, é conhecido por seu sabor suave e versatilidade na cozinha. Pode ser utilizado em uma ampla gama de preparações culinárias, tanto quentes quanto frias, segundo Natacci.
Sua composição inclui uma rica e equilibrada quantidade de ácidos graxos ômega 6 e ômega 9, semelhantes aos encontrados no óleo de girassol. No entanto, o óleo de milho se destaca por seu alto teor de vitamina E, um antioxidante que ajuda a proteger as células do corpo.
Óleo de Canola – 233 °C
Extraído de uma planta híbrida, desenvolvida no Canadá, tem sabor neutro e pode ser usado em várias receitas. O óleo de canola tem propriedades importantes para o organismo, como a presença de gorduras monoinsaturadas, além de grandes quantidades de ômegas 3 e 6.
Óleo de Coco – 200 °C
O óleo de coco é caracterizado por seu alto teor de ácidos graxos saturados, o que o torna uma opção menos saudável, especialmente para o preparo de alimentos.
Óleo de Palma/Azeite de dendê – 230 °C
O óleo de palma, também conhecido como azeite de dendê, é capaz de suportar altas temperaturas sem alterar significativamente suas características de composição e sabor. No entanto, seu elevado teor de gordura saturada torna-o uma opção menos saudável.
Melhores e piores óleos para a saúde:
De acordo com Sandra Chemin, os quatro melhores óleos para a saúde, em ordem, são:
- Azeite de oliva
- Canola
- Milho
- Girassol
De acordo com a especialista, os óleos de canola e de milho podem ser alternativas mais econômicas ao azeite de oliva para quem busca uma alimentação mais saudável. Em contraste, os óleos de palma e de coco são menos recomendados para o preparo de alimentos.
Fonte: Estadão – Layla Shasta
19/07/2026 at 15:58
Excelente os óleos que são saudáveis, pois só uso o óleo de milho segundo me falaram, que Canola e Girassol não são bons para conzinhar. Já perdi perdi muitas promoções por conta dessa informação. Agora vou usar também os óleos de Girassol Canola. Parabéns Dra Sandra Chmim. Por passar essa excelente explicação sobre óleos saudáveis pois fica difícil a gente comprar sem uma orientação.